top of page

Trump designa CV e PCC como organizações terroristas internacionais após pedido pessoal de Flávio Bolsonaro

Medida entra em vigor em 5 de junho e ocorre após reunião de Flávio Bolsonaro com Donald Trump; governo Lula havia rejeitado todos os pedidos americanos para cooperar na designação



O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira a designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas internacionais, com vigência a partir de 5 de junho. A medida foi tomada por iniciativa do presidente Donald Trump após pedido pessoal do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se reuniu com o chefe da Casa Branca no Salão Oval e com o secretário de Estado Marco Rubio no Departamento de Estado nesta semana.


"CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e por todo o país", diz o comunicado do Departamento de Estado. A nota ressaltou que a designação "demonstra ainda mais o compromisso inabalável do governo Trump em desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano."


A designação foi baseada na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade e na Ordem Executiva 13224, instrumentos que permitem aos Estados Unidos agir unilateralmente sem necessidade de cooperação do país onde as organizações operam. A medida foi tomada exatamente porque o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia rejeitado sistematicamente todos os pedidos americanos para equiparar CV e PCC como organizações terroristas em âmbito bilateral. Sem a colaboração do Palácio do Planalto, Washington decidiu agir por conta própria.


A sequência de eventos é politicamente devastadora para o governo Lula. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, se reuniu com o presidente Trump no Salão Oval e com Rubio no Departamento de Estado como interlocutor privilegiado dos Estados Unidos no combate ao crime organizado brasileiro, obteve em menos de 48 horas o que o governo federal brasileiro havia recusado a Washington repetidamente, e ainda prometeu ao presidente americano que, caso eleito, incluirá o Brasil no Escudo das Américas, iniciativa que reúne os EUA e mais 11 países do hemisfério no combate integrado ao narcoterrorismo.


Para o governo Lula, que havia resistido à medida, o fato de o principal adversário político do presidente ter articulado uma resolução alinhada aos anseios da maioria da população — e conseguido diretamente com o presidente Donald Trump aquilo que o Palácio do Planalto havia recusado — representa um duro revés diplomático e eleitoral, de ampla repercussão.



Comentários


bottom of page