Trump sinaliza retomada das negociações com o Irã nos próximos dois dias e petróleo recua abaixo de US$ 100
- Núcleo de Notícias

- há 3 horas
- 2 min de leitura
Presidente americano diz estar "mais inclinado" a voltar ao Paquistão enquanto diplomatas do Golfo, Paquistão e Irã confirmam possibilidade de nova rodada; bloqueio naval segue em vigor mas tensão ameniza

O presidente Donald Trump sinalizou nesta terça-feira que as negociações com o Irã para o encerramento da guerra poderiam ser retomadas no Paquistão nos próximos dois dias, aliviando parte da tensão gerada pelo colapso das conversas de Islamabad no fim de semana e pelo bloqueio naval americano aos portos iranianos que entrou em vigor na segunda-feira. "Algo pode estar acontecendo nos próximos dois dias, e estamos mais inclinados a ir até lá", disse o presidente Trump em entrevista à imprensa norte-americana.
A sinalização americana foi acompanhada por confirmações de outras frentes. Funcionários do Golfo, do Paquistão e do Irã também indicaram que as equipes negociadoras dos dois países poderiam retornar ao Paquistão ainda nesta semana, embora uma fonte iraniana sênior tenha pontuado que nenhuma data havia sido formalmente definida. A convergência de sinais de múltiplos atores sobre a possibilidade de retomada foi suficiente para acalmar os mercados de petróleo, com os preços do Brent voltando a cair abaixo de US$ 100 por barril nesta terça-feira, após terem superado esse nível com força na véspera.
O contexto que cerca uma eventual nova rodada é de máxima pressão sobre o Irã. O bloqueio naval americano aos portos iranianos, que passou a ser aplicado a partir de segunda-feira pelo CENTCOM com ao menos 17 navios posicionados, corta efetivamente a capacidade do regime de exportar petróleo e receber importações pelo mar. Teerã respondeu com retórica de confronto, ameaçando atacar navios que transitassem pelo Estreito e retaliar portos de vizinhos do Golfo. Mas os sinais diplomáticos desta terça sugerem que, por baixo da dureza pública, o regime iraniano pode estar buscando uma saída.
O cenário que chega ao possível segundo encontro é mais claro do que o da rodada de Islamabad: a guerra começou em 28 de fevereiro com os ataques americanos e israelenses ao Irã, o regime efetivamente fechou o Estreito de Ormuz por semanas, as negociações de Islamabad colapsaram no fim de semana e os Estados Unidos responderam com o bloqueio. O Irã que entrar numa eventual segunda rodada o fará com menos margem de manobra do que tinha uma semana atrás.
O cessar-fogo de duas semanas anunciado pelo presidente Donald Trump na terça-feira anterior ainda tem cerca de uma semana de vigência. O espaço de tempo disponível para transformar essa janela em algo permanente está se estreitando, e qualquer acordo que eventualmente surgir precisará endereçar os pontos que impediram um entendimento em Islamabad: a proibição ao enriquecimento de urânio do Irã, o conflito entre Israel e Hezbollah no Líbano e a reabertura plena do Estreito de Ormuz.




Comentários