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Três superpetroleiros cruzam o Estreito de Ormuz com 6 milhões de barris após 2 meses parados no Golfo

Tráfego médio ainda é de apenas 10 navios por dia contra 140 em condições normais; associações marítimas alertam para alto risco operacional com drones, minas e congestionamento imprevisível



Três superpetroleiros cruzaram o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira transportando petróleo com destino aos mercados asiáticos, depois de aguardarem no Golfo Pérsico por mais de dois meses com cerca de 6 milhões de barris de petróleo bruto a bordo, segundo dados de navegação da LSEG e da Kpler. Entre eles, o Very Large Crude Carrier (VLCC) de bandeira sul-coreana Universal Winner, carregado com 2 milhões de barris de petróleo do Kuwait desde 4 de março, está a caminho de Ulsan, na Coreia do Sul, para descarga prevista em 9 de junho na refinaria da SK Energy.


Os navios integram um grupo de superpetroleiros que passaram a sair do Golfo nas últimas semanas utilizando a rota de trânsito ordenada pelo Irã como condição para a passagem. O movimento é positivo na margem, mas está longe de representar a normalização que os mercados aguardam: o tráfego médio no Estreito segue em cerca de 10 navios que entram e saem por dia, incluindo navios de carga e outros tipos de embarcação, com os petroleiros de petróleo bruto ainda representando uma pequena proporção do volume total. Em condições normais, cerca de 140 navios cruzam o Estreito diariamente.


O ambiente operacional segue hostil. O Centro Conjunto de Informações Marítimas liderado pela Marinha americana alertou nesta terça-feira que "o ambiente operacional permanece de alto risco com base nos recentes ataques a navios na área." As principais associações do setor marítimo emitiram nesta quarta-feira novas orientações para os navios que pretendem navegar pelo Estreito, listando múltiplos riscos: ataques diretos, ameaça de drones e minas, congestionamento imprevisível do tráfego e "supervisão militar reduzida."


As associações também alertaram para um risco pouco discutido de normalização abrupta: "Centenas de embarcações continuam impossibilitadas de transitar pelo Estreito de Ormuz e, no caso de um retorno às condições mais normais de navegação, o movimento de todas essas embarcações dentro do Estreito poderia representar um risco considerável à navegação." A fila de navios acumulada em mais de dois meses de bloqueio representa um desafio logístico adicional que vai além dos riscos de segurança.


A retomada gradual e limitada do tráfego ocorre num momento de máxima incerteza diplomática: o presidente Donald Trump declarou na terça-feira que esteve a uma hora de ordenar novos ataques ao Irã e deu prazo de dois a três dias para um acordo antes de retomar as hostilidades.



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