79% dos brasileiros percebem aumento da violência nos últimos dois anos
Pesquisa Pax/Quaest aponta que 7 em cada 10 entrevistados dizem que violência cresceu "muito"; 67% acreditam que punição a criminosos diminuiu

Sete em cada dez brasileiros afirmam que a violência "aumentou muito" no país nos últimos dois anos, segundo pesquisa nacional Pax/Quaest divulgada nesta sexta-feira (18). Outros 9% dizem que o problema "aumentou um pouco" — somados os dois grupos, 79% dos entrevistados percebem algum grau de crescimento da violência. Apenas 15% avaliam que a situação permaneceu igual, 5% notaram diminuição e 1% não soube responder.
A percepção de agravamento é significativamente maior entre as mulheres: 76% delas dizem que a violência aumentou muito, contra 63% dos homens. A parcela que enxerga alguma redução também é menor entre as mulheres, 4%, contra 8% entre os homens.
Entre os entrevistados que perceberam aumento, 73% atribuem o cenário simultaneamente ao crescimento do número de crimes e ao aumento da violência empregada nos delitos. Outros 14% apontam apenas mais ocorrências, enquanto 12% avaliam que os crimes ficaram mais violentos, sem necessariamente mais numerosos. A pesquisa também mostra que 67% dos brasileiros consideram que a punição aplicada aos criminosos diminuiu nos últimos anos, contra apenas 22% que acreditam ter havido aumento da punição — percepção que reforça o discurso de endurecimento penal defendido por candidatos como Flávio Bolsonaro em sua campanha presidencial.
A violência aparece como o principal problema enfrentado pelo Brasil na visão dos entrevistados, citada espontaneamente por 28% do total, à frente de corrupção (22%), economia (19%), saúde (15%) e desemprego e educação, ambos com 5%. A preocupação regional varia consideravelmente: chega a 35% no Nordeste, 29% no Norte, 25% no Sudeste, 23% no Sul e 18% no Centro-Oeste. Entre brasileiros com 60 anos ou mais, o percentual sobe para 38%, o maior recorte etário do levantamento.
Na avaliação das instituições de segurança pública, a Polícia Militar recebeu aprovação de 45% dos entrevistados, seguida pela Polícia Federal, com 44%, e pela Polícia Civil, com 41%. Já o combate às facções criminosas teve avaliação predominantemente negativa: 43% consideram o combate insuficiente, contra apenas 27% que o avaliam positivamente — um dado particularmente relevante diante das recentes revelações sobre a expansão do PCC e do Comando Vermelho em setores estratégicos da economia e da administração pública, incluindo o transporte coletivo de São Paulo e as próprias rotas internacionais de tráfico de cocaína, conforme apontado recentemente tanto pelo Ministério Público paulista quanto pelo governo americano.
O levantamento ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 12 e 15 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.





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