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Lula diz não aceitar "a ideia de que as facções são terroristas"

há 1 minuto
2 min de leitura

Petista reage à avaliação do governo Trump, que acusa o Brasil de ter "falhado" em confrontar as facções e de se tornar "centro de distribuição global de cocaína"



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (18), durante evento no Rio de Janeiro, que rejeita a classificação feita pelo governo Trump do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo o petista, o verdadeiro "terrorismo" no Brasil recente teria sido o 8 de Janeiro e a tentativa de golpe de Estado. "Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado, ele não fala da luta e da briga pelo poder. Quem fazia isso? O Bolsonaro tentando dar o golpe no 8 de Janeiro. Isso é terrorismo, pensando em matar Lula, Alckmin e até o Alexandre de Moraes. Isso é terrorismo de Estado", declarou o presidente.


A fala chega dois dias depois de o governo americano afirmar, em documento assinado pelo presidente Donald Trump e enviado ao Congresso dos Estados Unidos, que o Brasil falhou "em confrontar as organizações terroristas estrangeiras" PCC e CV. Segundo a Casa Branca, as facções transformaram o país num "centro de distribuição global de cocaína", determinação que consta de relatório anual obrigatório sobre países de trânsito e produção de drogas. O documento também classifica o Brasil como nação na contramão de "muitos governos" do Hemisfério Ocidental que "tomam medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar os cartéis", e reforça que o país "falhou" em confrontar organizações estrangeiras já designadas como terroristas. "Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas enérgicas para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam", diz o trecho.


A insistência de Lula em relativizar a gravidade das duas maiores facções criminosas do país — repetindo, no fundo, a mesma linha argumentativa que já havia usado em ligação telefônica com o presidente Trump no fim de agosto, quando defendeu que "grupos criminosos" não se "confundem" com organizações terroristas — é um verdadeiro tiro no pé. Na mesma sexta-feira em que o presidente fazia essas declarações, a pesquisa nacional Pax/Quaest revelava que 79% dos brasileiros percebem aumento da violência no país nos últimos dois anos, com o tema despontando como a principal preocupação nacional, citado espontaneamente por 28% dos entrevistados, à frente até da economia e da corrupção. A mesma pesquisa mostrou que 67% da população acredita que a punição a criminosos diminuiu, e que apenas 27% avaliam positivamente o combate às facções criminosas no país, contra 43% de avaliação negativa.



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