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AIE projeta primeira queda anual da demanda global de petróleo desde a pandemia

Agência prevê recuo de 1 milhão de barris por dia em 2026



A demanda global de petróleo está a caminho de registrar sua primeira queda anual desde 2020, afirmou a Agência Internacional de Energia nesta sexta-feira (10) em seu relatório mensal do mercado. A agência projeta recuo de 1 milhão de barris por dia no consumo mundial neste ano em comparação com 2025, marcando a primeira contração desde os momentos mais críticos da pandemia de Covid-19. A contração não reflete uma mudança estrutural no apetite por energia, mas sim o impacto direto do fechamento do Estreito de Ormuz: sem petróleo chegando, refinarias pararam, indústrias reduziram a atividade e o consumo caiu como consequência do choque de oferta que interrompeu as exportações pelo Golfo Pérsico. A queda é "altamente assimétrica tanto em termos de produto quanto de região", segundo a AIE, com os países mais dependentes das importações pelo Golfo sendo os mais afetados.


A agência sinalizou que uma recuperação está em curso, mas alertou que a retomada dos combates esta semana pode comprometer ainda mais as perspectivas. A previsão da AIE parte do pressuposto de que um cessar-fogo se mantenha e o Estreito seja gradualmente reaberto, desfecho que voltou a ficar incerto após EUA e Irã trocarem ataques nos últimos dias, com vários navios sendo atingidos e o tráfego pelo Estreito voltando a se reduzir drasticamente.

"Embora o equilíbrio do mercado global de petróleo pareça encaminhar-se para um superávit no final do ano, a previsão depende da premissa de que o fluxo de petroleiros pelo Estreito se recuperará gradualmente, permitindo que produtores retomem a operação de campos e que refinarias no Oriente Médio e em outras regiões voltem a realizar embarques. As novas trocas de ataques no Golfo nesta semana evidenciam os riscos de não se alcançar um acordo de paz duradouro, condição indispensável para a normalização dos mercados de petróleo", escreveu a AIE.


A agência também reduziu suas perspectivas para a produção de petróleo russa, citando a intensificação da campanha de drones ucranianos contra a infraestrutura energética do país. As projeções de oferta russa foram cortadas em 85 mil barris por dia para 2026 e 150 mil barris por dia para 2027, para uma média de 8,8 milhões de barris por dia ao longo do período de previsão. A Rússia, terceira maior produtora mundial, deverá extrair 8,9 milhões de barris por dia neste ano e 8,8 milhões em 2027, abaixo dos 9,2 milhões registrados em 2025, com paralisações em refinarias que já saltaram para 3,8 milhões de barris por dia segundo o Goldman Sachs, mais da metade da capacidade de refino do país.


O relatório da AIE chega num momento em que o conflito no Estreito de Ormuz voltou a se intensificar após o breve período de relativa distensão proporcionado pelo memorando de entendimento de 14 de junho. A projeção de primeira queda anual da demanda global desde a pandemia, combinada com a incerteza sobre a reabertura do Estreito e os ataques ucranianos às refinarias russas, sugere que o mercado de petróleo pode permanecer em desequilíbrio por mais tempo do que os analistas haviam estimado imediatamente após o acordo de paz.



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