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Alexandre de Moraes: "Não vou permitir que faça circo no meu tribunal"

20 de mai. de 2025
2 min de leitura

Ministro confronta depoente e critica postura da defesa durante oitiva sobre suposta tentativa de golpe envolvendo Bolsonaro e aliados



Durante audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira (19), o ministro Alexandre de Moraes protagonizou momentos de tensão ao repreender o general do Exército Marco Antônio Freire Gomes e o advogado Eumar Novak, defensor do ex-ministro Anderson Torres. A sessão faz parte da instrução do processo contra o chamado “núcleo 1” da suposta tentativa de golpe de Estado, do qual fazem parte o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus.


Ao prestar depoimento como testemunha, Freire Gomes foi confrontado pelo ministro Alexandre de Moraes por supostamente omitir, inicialmente, trecho de declaração anterior à Polícia Federal, na qual apontava que o almirante Almir Garnier, então comandante da Marinha, teria declarado apoio a Bolsonaro durante uma reunião sobre a resistência à posse de Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro Moraes reagiu duramente: “O senhor falseou a verdade na polícia ou está falseando aqui?”, questionou.


O general respondeu afirmando que jamais mentiria em 50 anos de serviço militar. Ele também negou veementemente que tenha dado voz de prisão a Bolsonaro, como chegou a ser especulado, embora tenha alertado o então presidente sobre os riscos jurídicos caso saísse dos limites constitucionais. Segundo Freire Gomes, foram apresentadas propostas de decretação de Estado de Sítio e de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), instrumentos previstos na Constituição.


Em outro momento da audiência, o ministro Alexandre de Moraes se irritou com o advogado Eumar Novak, que repetia perguntas sobre a presença de Anderson Torres nas reuniões. “Não estamos aqui para fazer circo. Não vou permitir que Vossa Excelência faça circo no meu tribunal. Não adianta ficar repetindo seis vezes a mesma pergunta”, declarou o ministro Alexandre de Moraes, interrompendo o defensor.


O depoimento de Freire Gomes encerrou-se por volta das 18h30. A próxima oitiva está marcada para quarta-feira (21), quando o ex-comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Júnior, prestará seu depoimento.


Até 2 de junho, serão ouvidas 82 testemunhas arroladas pela Procuradoria-Geral da República e pelas defesas. Após essa fase, os próprios réus, incluindo Bolsonaro, deverão ser interrogados. Ainda não há data definida para o início dessa etapa, mas a expectativa é de que o julgamento final ocorra ainda este ano.

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