Apenas três navios cruzaram o Estreito de Ormuz na quinta-feira; Brent sobe para US$ 87 com tráfego no menor nível desde maio
IRGC anuncia que nenhum petróleo sairá pelo Estreito enquanto ataques americanos continuarem

Apenas três navios de carga cruzaram o Estreito de Ormuz na quinta-feira, o menor número de travessias diárias desde maio, com a maioria das embarcações parando ou dando meia-volta diante dos ataques iranianos a navios e da reinstalação do bloqueio naval americano. O número contrasta com a média de 125 embarcações que transitavam diariamente pela passagem antes do início da guerra em 28 de fevereiro, e com as 11 travessias registradas na quarta-feira. Pelo segundo dia consecutivo, nenhum superpetroleiro de grande porte nem navio-tanque de gás natural liquefeito passou pelo Estreito.
O mercado de petróleo responde com vigor ao travamento da principal rota energética do mundo. O Brent subia 3,32% nesta sexta-feira (17), às 11h, sendo negociado a US$ 87,03 por barril, aproximando-se cada vez mais dos níveis mais altos desde o pico do conflito. A trajetória é clara: o barril havia recuado de mais de US$ 120 para abaixo de US$ 72 durante a janela de distensão do memorando de entendimento de junho, mas a retomada das hostilidades reverteu boa parte desse alívio em menos de duas semanas.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou que "nenhum petróleo ou gás será exportado pelo Estreito de Ormuz enquanto os ataques americanos continuarem". O Iraque chegou a suspender brevemente os carregamentos de petróleo depois que um drone atingiu um petroleiro em seu terminal de Basra, antes de retomar as operações.
A ameaça mais grave para os mercados de energia globais, porém, pode vir de outro ponto do mapa. Teerã sinalizou que poderia incitar seus aliados houthis no Iêmen a fechar o Estreito de Bab al-Mandeb, na foz do Mar Vermelho, caso Washington avance com ataques à infraestrutura iraniana. O Bab al-Mandeb é a segunda passagem estratégica mais importante do comércio global de energia, conectando o Mar Vermelho ao Oceano Índico. Um fechamento simultâneo de Ormuz e Bab al-Mandeb representaria o maior choque de oferta energética da história moderna.





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