Arábia Saudita entra no conflito ao lado dos EUA em ataques conjuntos contra milícias iranianas no Iraque; Brent dispara 4,4%
- Núcleo de Notícias
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Operação marca primeira participação pública saudita em combates desde o início da guerra

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita lançaram nesta quarta-feira (29) ataques aéreos conjuntos contra instalações de milícias alinhadas ao Irã no leste do Iraque, em resposta a mais de 30 ataques de drones lançados em 72 horas contra forças americanas e instalações petrolíferas sauditas. A operação marca a primeira vez que Riad reconheceu publicamente sua participação em combates ao lado dos EUA desde o início do conflito, ampliando significativamente o raio geográfico e o número de atores diretamente engajados na guerra.
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que os ataques atingiram múltiplos depósitos de armas e instalações logísticas utilizadas por grupos armados operando sob direção da Guarda Revolucionária Islâmica. As Forças de Mobilização Popular do Iraque, milícias pró-Irã formalmente incorporadas às forças de segurança iraquianas, informaram pelo menos 20 mortos e 32 feridos. "A IRGC e seus proxies terroristas devem cessar esses ataques para evitar nova resposta militar americana", disse o CENTCOM.
A entrada da Arábia Saudita no conflito é um desenvolvimento de primeira magnitude. Riad enfrenta simultaneamente os ataques dos houthis no Mar Vermelho, que declararam bloqueio naval ao reino e atacaram instalações da Aramco em Yanbu e Jizan na semana passada, e agora ataques de drones lançados de território iraquiano contra suas instalações petrolíferas. A resposta saudita com ataques ao Iraque abre uma nova frente entre o reino sunita e os aliados xiitas do Irã, num conflito que se expande a cada semana para além do Estreito de Ormuz.
Os mercados de petróleo reagiram com vigor. O Brent subiu 4,4% para US$ 87,81 e o WTI avançou 4,3% para US$ 82,69 por barril, encerrando três sessões consecutivas de queda. Os preços foram adicionalmente sustentados por queda de cerca de 3,3 milhões de barris nos estoques americanos de petróleo bruto na semana encerrada em 24 de julho, segundo dados do Instituto Americano do Petróleo.
As repercussões diplomáticas foram imediatas. O primeiro-ministro iraquiano Ali al-Zaidi cancelou reunião prevista para quinta-feira com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman em Jeddah após os ataques conjuntos em território iraquiano. A presidência do Iraque condenou os ataques às Forças de Mobilização Popular e classificou a operação como violação da soberania iraquiana. A milícia Harakat Hezbollah al-Nujaba advertiu que EUA e Arábia Saudita "pagarão um preço pesado" pela operação. O episódio é particularmente delicado porque al-Zaidi havia visitado a Casa Branca dias antes, e depois viajado ao Irã numa tentativa de mediação, ilustrando o impossível equilíbrio que Bagdá tenta manter entre Washington e Teerã num conflito que agora se trava em seu próprio território.
