Estagnação: Banco Central projeta crescimento em 1,6% para 2026 e eleva incerteza por causa da guerra
- Núcleo de Notícias

- há 2 dias
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Relatório de Política Monetária revela a estagnação econômica do Brasil e aponta que inflação subirá sob pressão do petróleo antes de recuar

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira seu Relatório de Política Monetária com uma mensagem de cautela crescente sobre os riscos que cercam a projeção de crescimento da economia brasileira. A previsão para o Produto Interno Bruto de 2026 foi mantida em 1,6%, o mesmo patamar estimado em dezembro, porém a autarquia foi explícita ao reconhecer que essa projeção está sujeita a "maior incerteza diante dos potenciais efeitos dos conflitos no Oriente Médio". Em outras palavras, o número pífio para um país com o potencial do Brasil é o mesmo, mas a confiança nele diminuiu.
O distanciamento entre as projeções é revelador. Enquanto o Banco Central mantém os 1,6%, o Ministério da Fazenda havia previsto em novembro uma expansão de 2,3% para este ano, e o mercado, segundo o Boletim Focus mais recente, estima crescimento de 1,84%. A diferença entre a visão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a da própria autoridade monetária é de quase um ponto percentual, o que não é trivial quando se fala em ritmo de expansão de uma economia do tamanho da brasileira.
No front inflacionário, o relatório traça uma trajetória de alta seguida de recuo gradual. O Banco Central projeta que o índice de preços começará a subir a partir do primeiro trimestre deste ano, pressionado pela disparada do petróleo desde o início da guerra no Oriente Médio, antes de iniciar uma trajetória de queda que, ainda assim, manterá a inflação acima do centro da meta contínua de 3%. A projeção mais distante disponível no documento aponta para uma inflação de 3,1% no terceiro trimestre de 2028. "Entre os fatores que contribuem para a alta das projeções, destacam-se a elevação do preço do petróleo e a revisão do hiato", apontou a autarquia, citando como vetores de alívio a valorização do real e uma queda marginal nas expectativas de mercado para os preços.
O quadro consolidado pelo relatório é de uma economia praticamente estagnada, que cresce menos do que o governo previa, com inflação pressionada por um choque externo fora do controle do Banco Central, e com a autoridade monetária comprometida a manter juros altos por mais tempo do que seria necessário em condições normais. Para o cidadão, isso se traduz em crédito mais caro, consumo mais contido e um 2026 que ficará bem abaixo do otimismo projetado pelo Palácio do Planalto alguns meses atrás.




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