Boletim Focus reforça cenário de baixo crescimento e juros elevados no Brasil
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- há 2 dias
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Projeções apontam economia travada, inflação resistente e câmbio pressionado no médio e longo prazo, limitando perspectivas de recuperação

O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)
INFLAÇÃO
Para 2026, a mediana do IPCA recuou levemente de 4,00% para 3,99%, marcando a quarta queda consecutiva, mas ainda em patamar elevado. Em 2027, a estimativa permanece em 3,80% pela 13ª semana seguida, sinalizando estagnação nas expectativas. Para 2028, o mercado mantém a projeção em 3,50%, número que também não se altera há 13 semanas, enquanto 2029 repete o mesmo percentual pela 22ª semana consecutiva, reforçando a percepção de inflação persistentemente pressionada no horizonte mais longo.
No caso do IGP-M, o quadro é ainda mais sensível. Para 2026, a projeção subiu de 3,87% para 3,92%, indicando retomada de pressão nos preços. Em 2027, a mediana segue em 4,00% há 55 semanas, sem qualquer sinal de alívio. Para 2028, a estimativa continua em 3,85% há nove semanas, e em 2029 houve nova piora, com alta de 3,71% para 3,78%, configurando a segunda elevação consecutiva.
Nos preços administrados dentro do IPCA, a projeção para 2026 teve recuo quase irrelevante, de 3,76% para 3,75%. Para 2027, a mediana permanece em 3,71% há quatro semanas. Em 2028, segue em 3,50% há dez semanas, e em 2029 continua no mesmo nível por 29 semanas consecutivas.
PIB
As expectativas para o crescimento econômico reforçam um quadro de baixo dinamismo estrutural. Para 2026, a projeção de expansão do PIB foi mantida em apenas 1,8%, patamar repetido há oito semanas. Em 2027, o mercado também projeta crescimento de 1,80%, número que acumula cinco semanas sem alterações, indicando ausência de revisões positivas.
No horizonte mais distante, o cenário pouco evolui. Para 2028, a estimativa segue em 2,0% há impressionantes 99 semanas. Em 2029, a mediana permanece igualmente em 2,0% há 46 semanas, consolidando a leitura de que o Brasil continuará preso a um ritmo econômico medíocre no longo prazo.
CÂMBIO
Para 2026, o dólar segue estimado em R$ 5,50, valor inalterado há 16 semanas. Em 2027, houve leve recuo, de R$ 5,51 para R$ 5,50.
Para 2028, a mediana permanece em R$ 5,52 há cinco semanas, enquanto para 2029 houve pequeno ajuste para baixo, de R$ 5,58 para R$ 5,57. O conjunto das projeções reforça a expectativa de um real estruturalmente depreciado ao longo dos próximos anos.
SELIC
Para 2026, a Selic projetada permanece em 12,25% ao ano, patamar mantido há seis semanas e indicativo de uma política monetária contracionista por período prolongado. Em 2027, a mediana segue em 10,50%, estável há 51 semanas, mostrando que o mercado não enxerga espaço relevante para cortes mais agressivos.
Em 2028, a projeção continua em 10,00%, estável há duas semanas, enquanto para 2029 a Selic permanece em 9,50% ao ano há 14 semanas. O conjunto das estimativas sugere que o Brasil seguirá convivendo com juros elevados por muito mais tempo, limitando investimentos, consumo e qualquer tentativa de retomada mais robusta da atividade econômica.
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Carlos Dias.
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