Brasil registra déficit em conta corrente de US$ 6 bilhões em março e acumulado em 12 meses chega a 2,71% do PIB
- Núcleo de Notícias

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Resultado reflete excesso de saídas sobre entradas em moeda estrangeira e aumenta dependência de capital externo num momento em que fluxos internacionais estão sendo afetados pela guerra no Oriente Médio

O Brasil registrou déficit em transações correntes de US$ 6,036 bilhões em março, informou o Banco Central nesta sexta-feira. No acumulado dos últimos 12 meses, o déficit totalizou o equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto, um indicador que revela a extensão do desequilíbrio externo acumulado pela economia brasileira num período em que a guerra no Oriente Médio pressionou importações de combustíveis e encareceu fretes e insumos.
O déficit em conta corrente representa a diferença entre o que o país gasta e o que recebe em moeda estrangeira. Ocorre quando o valor das importações, somado às remessas de lucros e juros ao exterior, supera as exportações e demais receitas recebidas. Na prática, o resultado de março indica que o Brasil consumiu mais dólares do que foi capaz de gerar no mês, aumentando a dependência de capital externo para financiar o desequilíbrio.
O dado chega num momento delicado para o balanço de pagamentos brasileiro. O fluxo cambial já havia mostrado saída líquida de US$ 750 milhões nos primeiros dez dias de abril e déficit de US$ 6,335 bilhões em março. A combinação de déficit em conta corrente crescente com saída de capital financeiro reduz o colchão de proteção cambial do país e aumenta a vulnerabilidade do real a choques externos, como os que a reescalada das tensões no Estreito de Ormuz tem produzido nas últimas semanas.
O déficit acumulado de 2,71% do PIB em 12 meses ainda está dentro de patamares considerados "administráveis" por economistas, mas a trajetória importa tanto quanto o nível. Num cenário em que o petróleo segue acima de US$ 100 por barril, os fretes continuam elevados pelo bloqueio do Estreito e o capital estrangeiro mostra sinais de cautela com emergentes, a pressão sobre a conta corrente tende a persistir nos próximos meses, dificultando a tarefa do Banco Central de ancorar o câmbio e as expectativas de inflação.




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