Cesta básica sobe em todas as 27 capitais brasileiras em março
- Núcleo de Notícias

- há 3 dias
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Feijão, batata, tomate, carne bovina e leite puxam as altas; trabalhador precisa de quase 98 horas de trabalho para comprar a cesta

Não há uma única capital brasileira em que o custo da cesta básica tenha recuado em março. O levantamento mensal do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento registrou alta generalizada nos 27 estados e no Distrito Federal, com os maiores aumentos concentrados nas capitais nordestinas e em Manaus. O dado mais revelador do relatório, no entanto, está no comprometimento da renda: quem recebe o salário-mínimo de R$ 1.621 precisa destinar, em média, 48,12% do rendimento líquido apenas para comprar os itens alimentícios básicos da cesta, contra 46,13% em fevereiro.
As altas de março foram puxadas principalmente por feijão, batata, tomate, carne bovina e leite. O feijão carioca chegou a subir 21,48% em Belém num único mês, enquanto o feijão preto avançou até 7,17% em Florianópolis. O único alívio no levantamento veio do açúcar, que recuou em 19 capitais por excesso de oferta, insuficiente para compensar a pressão nos demais itens.
As maiores altas mensais foram registradas em Manaus (7,42%), Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%) e Belo Horizonte (6,44%). São Paulo segue com o maior custo absoluto, com a cesta chegando a R$ 883,94, seguida do Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40), Florianópolis (R$ 824,35) e Campo Grande (R$ 805,93). Na ponta oposta, Aracaju registra o menor custo, R$ 598,45, mas ainda assim foi uma das capitais com maior alta relativa no mês.
O tempo médio de trabalho necessário para adquirir os itens subiu para 97 horas e 55 minutos em março, ante 93 horas e 53 minutos em fevereiro. Isso significa que um trabalhador que recebe o salário-mínimo precisa de quase quatro dias adicionais de trabalho por mês apenas para bancar a alimentação básica da família em comparação com o que precisava dois meses atrás. O Dieese reforça que o salário-mínimo ideal para garantir o sustento de uma família de quatro pessoas no Brasil deveria ser de R$ 7.425,99, o equivalente a 4,58 vezes o valor atual de R$ 1.621.
O levantamento é mais um dado concreto do custo que a conjuntura econômica atual impõe às famílias brasileiras. A inflação dos alimentos corrói o poder de compra de quem está na base da pirâmide de renda com velocidade maior do que qualquer ajuste no salário mínimo consegue compensar.




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