Chevron amplia presença na Venezuela com investimento de mais de US$ 7 bilhões
Expansão é viabilizada após operação militar americana que capturou Maduro e acordo de exploração de 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas

A Chevron, uma das maiores empresas de energia e petróleo do mundo, com sede nos Estados Unidos, está ampliando sua presença na Venezuela por meio de novos acordos que preveem investimento superior a US$ 7 bilhões ao longo dos próximos cinco anos, com o objetivo de mais que dobrar a produção de suas joint ventures no país. A petrolífera informou nesta quarta-feira que os acordos estabelecem termos fiscais, comerciais e legais atualizados para suas operações conjuntas venezuelanas, criando condições para investimento adicional, desenvolvimento de novos projetos e crescimento da produção.
A companhia projeta que suas joint ventures elevem a produção para aproximadamente 600 mil barris por dia, mantendo o custo total abaixo de US$ 20 por barril. Segundo a Chevron, a produção conjunta de suas três parcerias venezuelanas já cresceu 15% neste ano. Como parte dos novos acordos, a joint venture Petroindependência, da qual a Chevron participa, recebeu direitos para desenvolver as áreas adjacentes de Carabobo-1 e Carabobo-2-Sul-A, na Faixa Petrolífera do Orinoco.
A expansão se soma a acordo firmado em abril, que já havia elevado a participação operacional da Chevron na Petroindependência para 49%. Aquele acordo também havia concedido à joint venture Petropiar, na qual a Chevron detém 30% de participação, direitos para desenvolver a área adjacente de Ayacucho 8. "Com termos aprimorados e área adicional, estamos fortalecendo um portfólio que acreditamos poder entregar crescimento de petróleo atrativo e de baixo custo, apoiar o suprimento de energia e criar valor diferenciado no longo prazo", afirmou o presidente e CEO da Chevron, Mike Wirth, em comunicado.
A expansão dos investimentos ocorre em meio a uma reconfiguração profunda da relação entre Estados Unidos e Venezuela, após a operação militar americana de janeiro que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro em Caracas — hoje detido nos Estados Unidos e réu em processo federal por tráfico de drogas. Separadamente, o governo Trump já havia anunciado, no mês passado, um acordo petrolífero envolvendo aproximadamente 65 bilhões de barris de reservas comprovadas venezuelanas. Sob esse arranjo, autoridades interinas da Venezuela concederam à North American Blue Energy Partners concessões de 100 anos sobre 17 campos de petróleo, enquanto o governo americano garantiu participação majoritária e direitos de governança sobre o empreendimento.
Nesse contexto, a Chevron atribuiu ao governo Trump, incluindo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, papel relevante na criação de condições favoráveis para novos investimentos e crescimento na Venezuela. "O engajamento contínuo entre governo e indústria é essencial para avançar projetos que apoiem a segurança energética, o crescimento econômico e o investimento continuado", declarou o CEO Mike Wirth.
A movimentação da Chevron confirma que a reaproximação entre Washington e Caracas, iniciada com a queda de Maduro e consolidada pelo acordo bilionário de petróleo anunciado em agosto, já está se traduzindo em compromissos concretos por parte das grandes petrolíferas americanas, consolidando a Venezuela como peça relevante na estratégia energética dos Estados Unidos num momento em que o Oriente Médio segue mergulhado em instabilidade prolongada em torno do Estreito de Ormuz.





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