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China pressiona o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz e diz que há "chamado unânime" da comunidade internacional

Chanceler afirma que liberdade de navegação é necessidade global e que situação atual está num "momento crítico entre guerra e paz"


O chanceler chinês Wang Yi disse ao ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em ligação telefônica nesta quinta-feira, que há um "chamado unânime da comunidade internacional" pela reabertura do Estreito de Ormuz. A declaração representa um movimento diplomaticamente significativo: a China, que havia vetado a resolução do Conselho de Segurança da ONU que exigia a reabertura da passagem, agora pressiona diretamente Teerã no mesmo sentido.


Wang Yi reconheceu os direitos iranianos como Estado costeiro do Estreito, afirmando que a soberania, segurança e direitos legítimos do Irã deveriam ser respeitados, mas deixou claro que isso não pode se sobrepor à necessidade de livre navegação. "Trabalhar para retomar a passagem normal pelo estreito é um chamado unânime da comunidade internacional", disse o chanceler chinês, segundo comunicado do governo de Pequim.


A intervenção chinesa tem peso específico. A China é o maior importador de petróleo do mundo e uma das nações mais afetadas pelo bloqueio do Estreito, que interrompeu o fluxo de energia para países asiáticos dependentes do Golfo Pérsico. Ao mesmo tempo, Pequim tem interesses estratégicos em manter relações com Teerã e havia sido criticada por seu veto na ONU. A ligação do chanceler chinês sugere que, com o bloqueio naval americano plenamente operacional e 90% da economia iraniana dependente do comércio marítimo, a China avaliou que o momento exige uma postura mais ativa para proteger seus próprios interesses energéticos.


O chanceler Wang Yi também avaliou que a situação atual chegou a um "momento crítico entre guerra e paz", acrescentando que "a janela da paz está se abrindo." A linguagem é cuidadosamente calibrada para encorajar o Irã a avançar nas negociações sem humilhá-lo publicamente, mas o recado é claro: mesmo os aliados do regime de Teerã consideram o momento de negociar, não de resistir. A pressão chinesa sobre o Irã, combinada com o bloqueio naval americano e a perspectiva de retomada das negociações no Paquistão nos próximos dias, compõe o quadro de máxima pressão sobre o regime que o presidente Donald Trump vinha construindo desde o colapso das conversas de Islamabad no fim de semana.



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