Copom corta Selic em 0,25 ponto para 14,5%
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- há 4 dias
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Comunicado aponta inflação acelerando e expectativas desancoradas a 4,9% para 2026, mesmo assim opta por realizar o corte

O Comitê de Política Monetária reduziu nesta quarta-feira a taxa Selic de 14,75% para 14,5% ao ano, corte de 0,25 ponto percentual conforme esperado pelo mercado, numa decisão unânime dos seis membros votantes liderados pelo presidente Gabriel Galípolo. O comunicado, porém, é tão relevante quanto o próprio corte: o Copom descreveu um ambiente de incerteza excepcionalmente elevada, com inflação acelerando, expectativas desancoradas e os conflitos no Oriente Médio como variável dominante sobre todos os modelos de projeção.
O BC foi direto ao reconhecer que as pressões inflacionárias se intensificaram. "A inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação", diz o comunicado.
O mapa de riscos elaborado pelo comitê é desequilibrado para cima. Entre os riscos de alta à inflação, o BC destaca a desancoragem das expectativas por período prolongado com impactos de segunda ordem das restrições de oferta de petróleo, a resiliência da inflação de serviços diante de um hiato do produto positivo e o risco de câmbio persistentemente depreciado. Os riscos de baixa existem, desaceleração doméstica mais intensa, desaceleração global e queda de commodities, mas o comunicado deixa claro qual direção preocupa mais o comitê no momento.
A justificativa para o corte, apesar do cenário adverso, está na avaliação de que o "período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica." Em português claro: os juros altos estão funcionando para desacelerar a economia, o que cria margem para calibrações pontuais sem abandonar a postura contracionista, segundo o Copom.
O trecho mais importante para os mercados é o que sinaliza o futuro. O Comitê de Política Monetária posiciona que "reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária" e que "os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio."
O corte de 0,25 ponto desta quarta-feira pode ser o último do ciclo por tempo indeterminado, ou o início de um processo mais lento do que o mercado projetava no início do ano. A resposta estará nos dados de inflação das próximas semanas e, acima de tudo, no desfecho das negociações entre Washington e Teerã.




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