Dizimado, Irã diz que Ormuz será reaberto se os EUA deixarem a região e que, caso contrário, vai “expulsá-los”
Porta-voz do Exército iraniano afirma que as defesas aéreas do país superam os níveis de antes e durante a guerra

O porta-voz do Exército do Irã, Mohammad Akraminia, afirmou, em publicação na rede X, que o Estreito de Ormuz será reaberto se os Estados Unidos deixarem a região, com a construção de um sistema de segurança coletiva com a participação dos países locais, o que, segundo ele, melhoraria a economia global. “Se não sair, vamos expulsá-lo”, acrescentou. Ele disse ainda que, apesar das “alegações repetidas” do presidente Donald Trump, a capacidade atual de defesa aérea do país “supera de longe” os níveis de antes e de durante a guerra.
As declarações respondem a falas do presidente americano, que na quarta-feira (14), num comício de campanha em Montana, em defesa dos candidatos republicanos nas eleições legislativas de 3 de novembro, afirmou que o Irã deixou de ser “o valentão do Oriente Médio”. “Eles não têm Marinha, não têm Força Aérea, o Exército deles está dizimado, os líderes se foram”, disse. O presidente ponderou que talvez devesse ter poupado os dirigentes, “porque não sei com quem estamos negociando”: os de primeira linha, segundo ele, morreram, os de segunda também e metade dos de terceira, e a principal exigência do regime nas conversas hoje seria: “Vocês permitem que a gente viva?”. Nas palavras do chefe da Casa Branca, é só isso que eles pedem, e não querem que os americanos os ataquem.
Os dois discursos ilustram o impasse. Teerã condiciona a reabertura de Ormuz, por onde passa parte relevante do petróleo e do gás do planeta, à retirada americana e mantém o bloqueio de fato ao estreito, enquanto Washington sustenta o bloqueio naval aos portos iranianos, rejeitou a proposta de cessar-fogo de sete dias e já indicou, segundo relatos da imprensa americana, que avalia novos planos de ataque, inclusive com a bomba GBU-43/B, a maior convencional do arsenal, antes ou depois do pleito de 3 de novembro. O presidente descartou, na quinta-feira (15), o uso de armas nucleares.
O quadro se reflete nos preços. O barril do Brent segue perto de US$ 110, a Europa se prepara para um inverno de gás caro e a guerra, que começou em 28 de fevereiro, completa quase oito meses sem perspectiva concreta de acordo.





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