Dívida bruta brasileira sobe para 81,1% do PIB em maio; pela métrica do FMI, chega a 94,3%
- Núcleo de Notícias

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Conta de juros atinge 8,48% do PIB em 12 meses, maior nível desde a recessão de 2016

A dívida pública bruta do Brasil subiu para 81,1% do PIB em maio, ante 80,2% no mês anterior, informou o Banco Central nesta terça-feira (30). A dívida líquida do setor público avançou para 67,9%, de 67,2%. Pela métrica do FMI, que inclui todos os títulos do Tesouro ao contrário da medida do BC que exclui papéis fora do mercado, a dívida bruta chegou a 94,3% do PIB, ante 92,9% no mês anterior, um patamar que se aproxima perigosamente da marca de 100% do PIB.
O nível de endividamento brasileiro permanece muito acima da média de 77,2% do PIB projetada pelo FMI para economias emergentes e em desenvolvimento em 2026, uma diferença que explica por que o Brasil paga o maior juro real do mundo, em 9,67% ao ano, enquanto outros emergentes como México e Turquia financiam suas dívidas a custos significativamente menores. Os investidores exigem essa compensação adicional precisamente porque a disciplina fiscal brasileira segue deteriorando mês após mês.
O custo dessa deterioração aparece com clareza nos pagamentos de juros: foram R$ 107,547 bilhões em maio, elevando a conta de juros acumulada em 12 meses para 8,48% do PIB, o nível mais alto desde fevereiro de 2016, quando o país enfrentava uma das piores recessões de sua história. Em outros termos, o Brasil hoje paga aos detentores de sua dívida pública uma fatia do PIB equivalente à de um dos momentos mais agudos de crise econômica da última década.
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,131 bilhões em maio. O governo central foi o principal responsável pelo rombo, com déficit de R$ 55,169 bilhões, enquanto Estados e municípios somaram R$ 1,236 bilhão negativos e as estatais registraram superávit marginal de R$ 273 milhões.




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