Economista-chefe do BCE diz que petróleo deve permanecer "por anos" acima do nível pré-guerra
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Philip Lane afirma que confiança econômica na zona do euro melhora mas segue abaixo do patamar anterior ao conflito

O economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, afirmou nesta terça-feira que a confiança econômica e empresarial está melhorando em toda a zona do euro, mas permanece abaixo dos níveis observados antes da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, e que os preços do petróleo devem permanecer relativamente elevados por anos.
"Em termos do impulso geral sobre a inflação, o fato de termos, talvez por alguns anos, preços do petróleo acima do nível pré-guerra representa, essencialmente, um impulso de aumento de custos para a economia", disse Philip Lane.
A avaliação reforça o diagnóstico que vinha sendo apresentado por outros analistas desde o início das negociações de paz: mesmo com o fim do conflito militar e a reabertura do Estreito de Ormuz, o mercado de petróleo não retornará rapidamente aos patamares anteriores a 28 de fevereiro. O UBS BB já havia projetado Brent a US$ 90 em 2026 e US$ 80 em 2027 mesmo após o acordo, argumentando que os estoques globais precisarão ser recompostos e que o mercado continuará exigindo prêmio de risco geopolítico diante dos eventos recentes, avaliação que parece ainda mais justificada após o fim de semana de ataques recíprocos entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz.
A declaração economista-chefe chega num momento em que o BCE acabou de elevar juros pela primeira vez em quase três anos, com a presidente Christine Lagarde sinalizando que a zona do euro está mais resiliente a choques e pode subir juros novamente se necessário. Um petróleo estruturalmente mais caro por anos, mesmo após o fim do conflito, é exatamente o tipo de pressão de custos que justificaria política monetária mais restritiva por mais tempo, reforçando a perspectiva de que o ciclo de aperto do BCE ainda não terminou. Para a economia global, a mensagem de Philip Lane confirma que o legado inflacionário da guerra no Oriente Médio será mais duradouro do que o próprio conflito militar, com efeitos sobre o custo de vida que persistirão muito além do acordo de paz assinado neste mês.




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