EUA avisam que devem classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
- Núcleo de Notícias

- há 4 horas
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Departamento de Estado argumenta que facções movimentam grandes quantias por meio de lavagem de dinheiro, e que o aumento do rigor pela classificação facilitará a asfixia financeira das organizações

O governo dos Estados Unidos enviou recado ao presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, sobre a ofensiva que pretende executar contra o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho. Em reunião com Galípolo, autoridades norte-americanas comunicaram que Washington caminha para classificar as duas facções como organizações terroristas estrangeiras, a despeito da resistência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à medida.
O argumento americano para a classificação é centrado no sistema financeiro: o Departamento de Estado argumenta que PCC e Comando Vermelho movimentam grandes quantias por meio de lavagem de dinheiro, e que o aumento do rigor pela nova classificação facilitará a asfixia financeira das organizações. A lógica é a mesma aplicada a outros grupos terroristas internacionais: cortar o dinheiro é cortar a capacidade operacional.
A classificação como organização terrorista estrangeira, o status FTO na sigla americana, representa uma mudança de paradigma na política externa dos Estados Unidos para a América Latina e tem consequências práticas imediatas e severas. O status aciona o braço financeiro do Departamento do Tesouro com rigor máximo, permitindo o congelamento imediato de ativos em solo americano ligados às facções e proibindo qualquer entidade ou indivíduo sob jurisdição americana de fornecer suporte material aos grupos. Na prática, isso cria uma barreira para a utilização do sistema bancário global pelas facções, já que bancos e instituições financeiras em qualquer país que operem com dólares ou tenham conexões com o sistema americano ficam impedidos de processar transações vinculadas às organizações.
A medida colide diretamente com a postura do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vinha resistindo à classificação e tratava o tema como questão de segurança pública doméstica, não de terrorismo internacional. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência que lidera as pesquisas eleitorais, havia defendido exatamente essa classificação em diversas oportunidades, propondo um acordo de cooperação com os Estados Unidos para combater as facções. A medida que o governo Lula resistiu pode agora ser imposta unilateralmente por Washington, com o Brasil informado, mas não consultado.




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