Flávio Bolsonaro firma compromissos com a bancada ruralista e promete juros menores, mais armazenagem e seguro agrícola
Candidato do PL recebeu a Frente Parlamentar da Agropecuária em Brasília e se comprometeu a consultar o grupo em decisões do setor

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu na noite de terça-feira (6), em Brasília, a Frente Parlamentar da Agropecuária e assumiu compromissos com diversas pautas do setor, registrados numa carta mais detalhada do que o apoio formal que a bancada já havia declarado ainda no primeiro turno. "Recebo o apoio da FPA agora com a carta compromisso mais detalhada após apoio formal já no 1º turno", disse a jornalistas. Segundo o senador, a própria frente também se comprometeu a percorrer o país ao lado de entidades do setor produtivo durante a campanha do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Flávio Bolsonaro afirmou que, se vencer a eleição, a FPA será sempre ouvida antes de decisões sobre projetos de lei e outras matérias ligadas à agricultura. Entre os pontos assumidos, citou investimento em infraestrutura, ampliação do seguro agrícola e previsibilidade na oferta de crédito. "Vamos buscar reduzir sempre a taxa de juros para baratear o nosso financiamento, trazer muitos investimentos em infraestrutura e ampliar a nossa capacidade de armazenagem para melhor negociar os preços dos nossos commodities", declarou. O candidato prometeu ainda "atenção especial à agricultura familiar", estendida, nas palavras dele, não apenas aos produtores rurais, mas também aos trabalhadores do campo.
Ao tratar da regularização fundiária, o senador lembrou a entrega de 420 mil títulos de propriedade rural durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e relatou cenas em assentamentos do MST em que a bandeira do movimento era retirada para dar lugar à do Brasil, diante de famílias que esperavam havia 70 anos pela titulação definitiva da terra. Flávio prometeu superar o recorde alcançado naquele período.
Sobre soberania produtiva, o candidato disse que pretende reduzir a dependência do agro brasileiro em relação a insumos importados, como os fertilizantes, sujeitos a oscilações provocadas por crises externas, a exemplo da guerra entre Rússia e Ucrânia. Também anunciou a intenção de fortalecer a política de biocombustíveis, em especial o biodiesel, para diminuir a exposição do país às variações do petróleo no mercado internacional. "Vamos olhar com muita atenção esse setor, organizar a legislação, que é uma grande colcha de retalhos, e vamos buscar a redução da conta de energia para o produtor", detalhou.
As promessas chegam num momento de fragilidade financeira do campo. Em 2025, os pedidos de recuperação judicial no agronegócio bateram recorde histórico, com 1.990 casos, alta de 56% sobre o ano anterior, e o ritmo seguiu acelerado no início de 2026. A inadimplência acima de 90 dias na carteira do agro do Banco do Brasil chegou a 6,27% no segundo trimestre, quase o dobro dos 3,16% de um ano antes, o que levou o governo a lançar um programa de renegociação de dívidas rurais com potencial de alcançar até R$ 100 bilhões. Os produtores enfrentam ainda a Selic em 13,75% ao ano, a sobretaxa de 55% que a China passou a aplicar, em 1º de outubro, sobre a carne bovina brasileira que exceder a cota anual, e as exigências sanitárias da União Europeia sobre uso de antimicrobianos no rebanho.
Nesse contexto, os compromissos de Flávio Bolsonaro dialogam com as principais queixas do setor: crédito caro, escassez de armazenagem, dependência de insumos externos e falta de previsibilidade regulatória. O plano de governo apresentado pelo candidato já previa a ampliação do seguro rural e da capacidade de armazenamento de safras, e a nova carta com a FPA transforma esses pontos em compromissos formais.





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