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Flávio Bolsonaro propõe aos EUA compromisso de que o Pix não será conectado a sistemas não ocidentais

Pré-candidato à presidência busca amenizar preocupações americanas com a plataforma e pede que EUA não imponham tarifas ao Brasil



O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) uma proposta para resolver as preocupações americanas com o Pix: um compromisso legislativo de que a plataforma de pagamentos instantâneos não será interconectada a arranjos não ocidentais de liquidação transfronteiriça. A sugestão foi enviada em comentários escritos à consulta pública aberta pelo USTR após a agência incluir o Pix entre as práticas comerciais sob investigação como potencialmente injustas.


A investigação culminou na proposta de impor tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, com decisão marcada para este mês. O senador Flávio Bolsonaro argumentou que as tarifas seriam a solução errada por não endereçarem a arquitetura do Pix e por prejudicarem os interesses de investimento americanos no Brasil. Em vez disso, o "sinal decisivo" para Washington seria exatamente o compromisso legislativo que propõe: uma garantia de que o Pix não será usado como veículo para reduzir a dependência do dólar ou contornar os sistemas de pagamento ocidentais.


O argumento de fundo é estratégico. Se conectado a sistemas de pagamento estrangeiros, especialmente de países como China ou Rússia, o Pix poderia teoricamente reduzir a dependência do dólar americano e contornar intermediários como empresas de cartão de crédito que atualmente gerenciam grande parte das transações transfronteiriças, desenvolvimentos que vão diretamente contra os interesses da administração Trump. Ao propor um compromisso legislativo explícito de que isso não acontecerá, o senador Flávio Bolsonaro oferece a Washington uma garantia concreta em troca da retirada das tarifas.


O senador também defendeu o Pix contra as críticas de que o Banco Central atua como proprietário e operador do sistema com implicações anticoncorrenciais, e foi mais além ao pedir que os EUA não imponham tarifas ao Brasil, argumentando que a questão tarifária está aumentando a popularidade de Lula às vésperas das eleições. O argumento tem lógica eleitoral clara: tarifas americanas sobre produtos brasileiros criam um ambiente de pressão externa que o governo petista usa para mobilizar sentimento nacionalista em seu favor, enquanto sua retirada ou moderação enfraqueceria esse recurso retórico.


A proposta de Flávio ao USTR é mais uma demonstração do papel que o senador tem desempenhado como principal interlocutor brasileiro com a administração Trump, obtendo resultados concretos que o governo Lula não conseguiu em três anos de mandato.



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