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Argentina apresenta programa financeiro saudável para 2027 com superávit de US$ 3,7 bilhões

Inflação mensal caiu de mais de 25% em dezembro de 2023 para 2,1% em maio de 2026; PIB cresceu 4,4% em 2025; risco-país atingiu menor nível desde a posse de Milei



O governo argentino apresentou um programa financeiro sólido para o biênio 2026-2027, com o secretário de Finanças, Federico Furiase, explicando que as necessidades financeiras de 2026 somam US$ 19,2 bilhões, enquanto as fontes de financiamento totalizam US$ 22,9 bilhões, gerando superávit líquido de US$ 3,7 bilhões que será reservado para 2027.


"Claramente, 2027 será ainda menos desafiador do que 2026", disse o secretário Furiase em coletiva de imprensa em Buenos Aires. O ministro da Economia, Luis Caputo, acrescentou que o retorno aos mercados internacionais de dívida não é um objetivo, mas uma "opção" adicional.


O anúncio é mais um capítulo da transformação econômica promovida pelo presidente Javier Milei desde que tomou posse em dezembro de 2023. O spread entre a taxa de juros das obrigações do Estado argentino e as do Tesouro americano caiu de cerca de 19% no início de dezembro de 2023 para 9%, reflexo direto da melhora das contas públicas. O risco-país medido pelo EMBI+ recuou de quase 1.400 pontos na posse de Milei para 443 pontos em junho de 2026, queda de aproximadamente 77%, com a S&P elevando a nota soberana de CCC+ para B-.


A inflação mensal caiu de níveis altíssimos no início do governo para 2,1% em maio de 2026, a menor taxa mensal desde o início do mandato de Milei. O contraste com dezembro de 2023 é dramático: o IPC argentino chegou à mínima mensal de 1,5% em maio de 2025, e 2025 encerrou com inflação de 2,8% em dezembro e 31,5% no ano. A inflação anual, que ultrapassava 200% quando Milei assumiu, está em 33,6% em maio de 2026.


A economia argentina cresceu 4,4% em 2025, após a contração de 1,8% em 2024, impulsionada especialmente pelo setor agrícola e pela intermediação financeira. O FMI manteve projeção de crescimento de 5,5% para 2025 e 4,5% para 2026, descrevendo a economia argentina como em "forte recuperação." O Banco Mundial anunciou apoio de US$ 12 bilhões em abril de 2025 e outros US$ 4 bilhões em setembro, destacando "forte confiança" nos esforços do governo argentino.


O gasto primário em 2025 foi 27% menor, em termos reais, do que em 2023. A desregulação intensa da economia eliminou ou modificou mais de 1.300 normas, e mais de 200 entidades estatais foram fechadas, incluindo secretarias e organismos considerados redundantes.


O contraste com o Brasil é inevitável. Enquanto a Argentina de Milei acumula superávit fiscal, reduz o risco-país e cresce acima de 4%, o Brasil de Lula registra déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio, dívida bruta em 81,1% do PIB, inflação acima do teto da metae o maior juro real do mundo em 9,67% ao ano.



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