Houthis atacam petroleiros sauditas no Mar Vermelho e Brent dispara quase 5%
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- há 7 horas
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Grupo terrorista ameaça cortar rota alternativa que a Arábia Saudita usava para driblar o bloqueio iraniano no Golfo

Os houthis, grupo terrorista do Iêmen financiado pelo Irã, afirmaram nesta quinta-feira (23) ter atacado dois petroleiros sauditas como parte do bloqueio naval à Arábia Saudita anunciado na semana passada, ameaçando cortar simultaneamente os dois principais corredores de energia do mundo e agravar ainda mais o choque de oferta global que já mantém o Brent próximo de US$ 100. O ataque ao petroleiro Encelia, atingido por um míssil perto do porto saudita de Jizan, no Mar Vermelho, causou incêndio na proa segundo a agência estatal saudita SPA. O segundo navio atacado foi identificado como o Layla.
A consequência imediata foi nos mercados de energia: os futuros do petróleo Brent dispararam 4,8% para US$ 98,59 por barril na manhã desta quinta-feira, o maior nível desde a trégua fracassada do mês passado. A ameaça houthi ao Estreito de Bab el-Mandeb, a "Porta das Lágrimas" que controla o acesso do Mar Vermelho ao Oceano Índico, é especialmente grave porque a Arábia Saudita havia desviado milhões de barris diários para o oleoduto que desemboca no Mar Vermelho exatamente para contornar o bloqueio iraniano no Golfo Pérsico. Com os houthis agora atacando essa rota alternativa, não há caminho seguro para o petróleo saudita chegar aos mercados globais.
Duas semanas após o colapso efetivo do memorando de entendimento, o secretário de Estado Marco Rubio, em encontro diplomático no Sudeste Asiático, foi categórico sobre a estratégia americana. "O Irã está implorando por um acordo todos os dias. O problema é que toda vez que fazem um acordo, ou o quebram ou querem alterá-lo. Então, agora estão pagando o preço por isso. E talvez mudem de ideia nos próximos dias, à medida que continuam sofrendo grandes perdas", disse o secretário Marco Rubio, acrescentando que o preço que o Irã paga "ficará mais alto a cada noite" até que Teerã esteja pronta para um acordo que realmente cumpra.
O Irã continuou seus ataques aos aliados americanos, afirmando ter atingido sistemas de mísseis e instalações de armazenamento de combustível americanas na Jordânia, além de postos militares no Kuwait. Usinas de dessalinização e de energia no Kuwait também foram atingidas nesta semana. O exército da Jordânia informou ter enfrentado quatro mísseis iranianos e seis drones nas últimas 24 horas, interceptando todos exceto um, que caiu em área desabitada.
Com o Brent se aproximando de US$ 100, o Estreito de Ormuz praticamente paralisado e os houthis atacando a rota alternativa pelo Mar Vermelho, o mundo enfrenta um dos maiores choques de oferta energética desde os anos 1970. Para o Brasil, o cenário reverte completamente o alívio inflacionário que o IPCA de junho havia proporcionado, fechando o espaço para o corte da Selic que o Copom considerava em agosto e pressionando uma economia que já crescia apenas 0,1% em maio.




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