IPCA-15 de abril sobe 0,89% com gasolina disparando 6,23% e acumulado em 12 meses chega a 4,37%
- Núcleo de Notícias

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Alimentação no domicílio acelera para 1,77% com cenoura subindo 25% e cebola 16,5%; combustíveis passam de queda de 0,03% em março para alta de 6,06% em abril refletindo guerra no Oriente Médio

O IPCA-15 de abril registrou alta de 0,89%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo IBGE, com o acumulado em 12 meses chegando a 4,37%, mantendo a inflação bem acima do centro da meta de 3% do Conselho Monetário Nacional.
O grupo Alimentação e Bebidas registrou a maior variação do mês, com alta de 1,46% e impacto de 0,31 ponto percentual no índice geral. A alimentação no domicílio acelerou de 1,10% em março para 1,77% em abril, puxada por produtos que sofreram choques específicos de oferta: cenoura subiu 25,43%, cebola avançou 16,54%, leite longa vida disparou 16,33%, tomate subiu 13,76% e as carnes avançaram 1,14%. A alimentação fora do domicílio também acelerou, passando de 0,35% em março para 0,70% em abril.
O grupo Transportes teve o segundo maior impacto no índice, com alta de 1,34% e contribuição de 0,27 ponto percentual. O número que mais chama atenção é o dos combustíveis, que passaram de queda de 0,03% em março para alta de 6,06% em abril, reflexo direto do petróleo de volta acima de US$ 100 com o bloqueio do Estreito de Ormuz. A gasolina subiu 6,23% e foi o maior impacto individual de qualquer produto no índice do mês, com contribuição de 0,32 ponto percentual.
Saúde e cuidados pessoais avançou 0,93%, com impacto de 0,13 ponto percentual, influenciado pelos itens de higiene pessoal (1,32%), pelos medicamentos (1,16%) após autorização de reajuste de até 3,81% a partir de 1º de abril, e pelos planos de saúde (0,49%). O grupo Habitação acelerou de 0,24% em março para 0,42% em abril, com a energia elétrica residencial subindo 0,68%, contemplando reajustes de concessionárias no Rio de Janeiro a partir de março.
O IPCA-15 antecede o IPCA cheio, que será divulgado nas próximas semanas, e serve de termômetro para o resultado final. Com 0,89% em abril e acumulado de 4,37% em 12 meses, a inflação segue pressionando o Banco Central a manter postura restritiva, exatamente na semana em que o Copom se reúne para decidir sobre a Selic. O impacto dos combustíveis em 6% em apenas um mês, num cenário em que o Estreito de Ormuz segue praticamente fechado e o petróleo opera acima de US$ 100, indica que a pressão inflacionária dos combustíveis ainda não atingiu seu pico no índice oficial.




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