Irã fecha novamente o Estreito de Ormuz e Guarda Revolucionária abre fogo contra embarcação
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Comando militar iraniano afirma que "controle do Estreito retornou ao estado anterior" e IRGC força navios a recuar; reabertura anunciada na sexta durou menos de 24 horas

O Estreito de Ormuz voltou a ser fechado pelo Irã neste sábado, numa reversão abrupta da reabertura anunciada pelo ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi apenas na véspera. Múltiplas embarcações foram forçadas a dar meia-volta desde a manhã ao tentarem cruzar a passagem, e a Guarda Revolucionária Islâmica abriu fogo contra pelo menos um navio como parte da política de fechamento declarada na noite anterior.
O comando militar conjunto iraniano publicou declaração afirmando que "o controle do Estreito de Ormuz retornou ao seu estado anterior" e que está "sob gestão e controle estritos das forças armadas", acrescentando que as restrições não serão suspensas enquanto os Estados Unidos mantiverem o bloqueio aos portos iranianos. Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional do parlamento iraniano, descreveu o estado atual como o retorno ao "status quo", que ele havia definido anteriormente como o regime de autorização naval iraniana e pagamento de pedágio como condição para o trânsito.
A sequência de eventos revela a fragilidade do momento diplomático. Na sexta-feira, o ministro Araghchi declarou o Estreito "completamente aberto" para navios comerciais durante o período do cessar-fogo com o Hezbollah no Líbano. O presidente Donald Trump celebrou o anúncio no Truth Social, mas deixou claro que o bloqueio naval americano aos portos iranianos permaneceria "em plena força" até que o acordo com Teerã fosse 100% concluído. Para o Irã, a manutenção do bloqueio americano após a reabertura do Estreito foi interpretada como descumprimento da lógica do cessar-fogo, e a resposta foi fechar novamente a passagem nas horas seguintes.
O episódio expõe a principal tensão que vem impedindo um acordo definitivo: os Estados Unidos exigem a reabertura do Estreito como condição para encerrar o bloqueio, e o Irã exige o fim do bloqueio como condição para manter o Estreito aberto. As duas posições são mutuamente excludentes sem um acordo que resolva simultaneamente os dois problemas, e nenhum dos lados demonstrou até agora disposição para fazer a primeira concessão unilateral.
Para os mercados globais, o fechamento do Estreito a menos de 24 horas de sua declarada reabertura é o tipo de reversão que desfaz em horas os ganhos de pregões inteiros. O petróleo havia despencado mais de 10% na sexta com o anúncio do ministro Araghchi. A reabertura do sábado tende a reverter pelo menos parte desse movimento, com os preços voltando a refletir o prêmio de risco de uma situação que, por enquanto, segue sem solução estável.




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