Lula ataca Marco Rubio e chama secretário de Estado americano de "inimigo mortal" e "anti-América Latina"
- Núcleo de Notícias

- 2 de jun.
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Presidente petista revela que criticou Rubio diretamente a Trump na Casa Branca e diz que secretário "não gosta do Brasil"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou nesta terça-feira (2) a atacar publicamente o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, chamando-o de "anti-América Latina" e "inimigo mortal" de países da região durante discurso em evento do governo federal em Catalão (GO). As declarações representam mais um capítulo na deterioração do relacionamento entre o governo brasileiro e a administração Trump, num momento em que os Estados Unidos acabam de propor tarifa de 25% sobre importações brasileiras e de classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas.
"O tal do Marco Rubio, que é o chefe de departamento dos Estados, que é o anti América Latina, que é o inimigo mortal de Cuba, que é o inimigo mortal de vários países latino-americanos e que eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil", declarou Lula, revelando que havia criticado o secretário diretamente ao presidente americano durante a reunião de três horas na Casa Branca no início de maio. O presidente petista acrescentou ter entregado ao presidente Trump quatro documentos sobre comércio bilateral, argumentando que os Estados Unidos são superavitários na relação com o Brasil e que os principais produtos americanos pagam zero de imposto no país.
A conduta de Lula merece ser chamada pelo que é: um presidente que viaja a Washington para se reunir com o presidente Donald Trump, sai da reunião anunciando grupo de trabalho para resolver tarifas em 30 dias e avanços na relação bilateral, e semanas depois ataca publicamente o segundo nome mais importante do governo americano em praça pública, chamando-o de "inimigo mortal" numa cidade do interior de Goiás. É a mesma inconsistência que marca toda a política externa do terceiro mandato: Lula abraça ditadores cubanos e venezuelanos, recusa cooperar com Washington na classificação do CV e do PCC como terroristas, acolhe Nicolás Maduro quando convém e depois reclama quando os americanos decidem agir de forma unilateral.
A classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas, que Lula chamou de motivo de "tristeza" porque o secretário Marco Rubio "disse que os nossos criminosos são terroristas", é exatamente o que o governo brasileiro deveria ter feito há anos. Que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha conseguido em dois dias de Washington o que o governo federal resistiu a fazer em três anos de mandato é uma humilhação diplomática que Lula transformou em ataque pessoal ao secretário de Estado americano em vez de reflexão sobre suas próprias omissões no combate ao crime organizado.
A tarifa de 25% proposta pelo USTR, que Lula usa como contexto para seus ataques a o secretário Marco Rubio, é resultado de uma investigação que identificou práticas comerciais brasileiras classificadas como "irracionais" em áreas como serviços de pagamento digital, proteção à propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol. Em vez de endereçar essas questões nas semanas entre a reunião com o presidente Donald Trump e o anúncio das tarifas, o governo preferiu narrar sua própria versão do encontro e atacar o secretário de Estado. O resultado é o pior dos dois mundos: as tarifas foram propostas assim mesmo e o relacionamento bilateral está mais deteriorado do que antes da viagem presidencial a Washington.




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