Lula critica os EUA pela captura de Maduro e defende Saddam Hussein
Presidente diz que "segurança territorial não existe" após operação americana prender o ditador venezuelano

O presidente Lula voltou a expor sua simpatia histórica por regimes autoritários de esquerda ao criticar, em entrevista à CNN dos Estados Unidos, a operação americana que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro em janeiro. Segundo o petista, a ação teria aberto "precedente contra a soberania dos países", numa fala que convenientemente ignora o fato de que Nicolás Maduro não era um chefe de Estado legítimo, mas o líder de um regime narcoterrorista que se mantinha no poder há anos por meio de repressão violenta, fraude eleitoral reconhecida internacionalmente e perseguição a opositores.
"A segurança territorial dos países não existe. Não existe. Qualquer país agora pode invadir outro país. Você acha que é correto isso? A gente não pode viver sob mentira, não pode viver sob mentira. Sabe, se tinha narcotráfico na Venezuela, prendam o narcotraficante. Agora, mataram muita gente lá nos barcos e não provaram ainda nenhum narcotraficante. Não mostraram nenhuma droga, não mostraram nada. Só prenderam", declarou Lula.
Vale lembrar que Nicolás Maduro foi capturado sob acusação de liderar o chamado Cartel de los Soles, organização que as autoridades americanas apontam como estruturada dentro do próprio aparato estatal venezuelano para viabilizar o tráfico internacional de drogas. O ditador está preso em Nova York, respondendo a acusações de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e crimes relacionados à posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos.
Para tentar sustentar sua tese, o petista recorreu ainda a uma comparação com a Guerra do Iraque de 2003. "Sabe, mataram o Sadam Hussein. Até agora não acharam nenhuma arma química. Eu fico me perguntando até quando o mundo vai ficar subordinado a mentiras", disse Lula.
A comparação com o ditador iraquiano trabalha contra o próprio Lula: Saddam Hussein foi um tirano sanguinário, responsável por genocídio contra curdos, guerras de agressão contra vizinhos e décadas de patrocínio ao terrorismo que ameaçavam a estabilidade de todo o Oriente Médio e a segurança do Ocidente — sua remoção do poder, independentemente dos detalhes específicos sobre armas químicas, livrou o mundo de um dos regimes mais brutais do século. Equiparar a queda de Saddam Hussein à prisão de Nicolás Maduro, um narcoditador com provas concretas, acusação formal e processo em curso na Justiça americana, não enfraquece o caso contra o venezuelano — apenas revela a disposição de Lula em recorrer a qualquer comparação, por mais bizarra ou historicamente distorcida, para proteger a imagem de um aliado ideológico.
O padrão, aliás, não é novidade: há anos Lula sustenta relação de proximidade e leniência com o ditador Nicolás Maduro, defendendo-o publicamente mesmo diante de eleições fraudadas, perseguição sistemática a opositores e o colapso econômico e humanitário que já expulsou milhões de venezuelanos do próprio país. É o mesmo presidente que relativizou a classificação do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas perante o próprio governo americano, que enviou mensagem de apoio a um evento em celebração ao centenário de Fidel Castro dizendo dever a ele sua 'terceira presidência', e que agora, ao "lamentar" a morte de Saddam Hussein como se o ditador iraquiano fosse vítima de uma injustiça, revela até onde está disposto a ir para defender um aliado ideológico: sugerir que um tirano responsável por genocídio, guerras e terrorismo internacional não deveria ter sido removido do poder.
Enquanto o governo Trump avança com sanções, bloqueios e ações diretas contra regimes que sustentam o narcotráfico e o terrorismo na região — de Cuba à Venezuela, passando pelo próprio Irã —, o presidente brasileiro segue escolhendo o lado errado da história.





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