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Lula diz que buscará novos parceiros se EUA não comprarem produtos brasileiros e chama Rubio de "latino-americano frustrado"

Presidente afirma ter sido "pego de surpresa" pela proposta de tarifa americana após encontro com Trump em maio



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu seus 38 ministros no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (3) para tratar da proposta americana de impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, e o resultado foi uma sequência de declarações que revelam muito mais sobre o estado de desorientação do governo do que sobre qualquer estratégia coerente de resposta à pressão comercial de Washington.


"Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. A gente não vai ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro", disse Lula a seus ministros.

A ignora uma realidade incômoda: os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras, absorvem cerca de 21% do que o Brasil vende ao exterior segundo os próprios dados do governo, e não existe substituto imediato para esse mercado.


Lula também afirmou ter sido "pego de surpresa" pela decisão americana, o que levanta uma pergunta legítima: para que serviram as três horas de reunião com Trump em 7 de maio, os quatro documentos entregues e o grupo de trabalho criado para resolver as tarifas em 30 dias, se o presidente brasileiro foi pego de surpresa por uma decisão que o United States Trade Representative (USTR) havia iniciado a investigar meses atrás? A surpresa de Lula é, no mínimo, uma admissão de que as conversas com o presidente Trump não produziram qualquer compromisso concreto.


O presidente voltou a atacar o secretário de Estado Marco Rubio, chamando-o de "latino-americano frustrado" numa declaração que, além de não contribuir em nada para a resolução do impasse comercial, destrói o que resta da interlocução diplomática com o segundo nome mais importante da política externa americana. Lula havia feito o mesmo ataquee em evento em Goiás dois dias antes. A estratégia de insultar publicamente o secretário de Estado de um país com quem o Brasil precisa urgentemente negociar tarifas que afetam 21% de suas exportações é, no mínimo, uma demonstração de que o Palácio do Planalto não tem uma estratégia.


A declaração mais reveladora da reunião ministerial foi a crítica velada a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusado indiretamente de "traição da pátria" por ter se reunido com Trump, Rubio e Vance em Washington e pedido expressamente que os Estados Unidos não taxem empresas brasileiras. Que um presidente classifique como traição o ato de um senador da oposição buscar atuar contra tarifas que prejudicam trabalhadores e empresas brasileiras revela o baixo nível do debate político do Planalto. O senador Flávio Bolsonaro foi a Washington e voltou com reconhecimento da administração Trump, conseguiu a classificação do CV e do PCC como organizações terroristas, e com a promessa de ter feito o pedido diretamente ao presidente americano para evitar as tarifas. Lula foi a Washington, ficou três horas com o chefe da Casa Branca e voltou para afirmando ter sido "pego de surpresa".


Por fim, Lula cobrou dos ministros que "apronte tudo até o dia 3 de julho" e reclamou de não saber das ações do governo pelos próprios ministérios antes de ler nos jornais, numa confissão pública de desarticulação interna que contradiz a narrativa de um governo que funciona.



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