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Lula diz que “não sabia” que o Bolsa Família estava sem reajuste, mais um capítulo do presidente que nunca sabe de nada

16 de out.
2 min de leitura

Em entrevista à TV Globo, o presidente tentou afastar o caráter eleitoreiro do aumento de 15% anunciado 17 dias antes do primeiro turno



O presidente Lula (PT) afirmou na quinta-feira (15), em entrevista à TV Globo, que “não sabia” que o Bolsa Família estava sem reajuste e que o aumento de 15% só foi decidido depois de ele “descobrir” o congelamento. “Eu não sabia, porque é inexplicável que no governo do Lula alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas, mas aconteceu”, disse. Perguntado por que a correção veio a tão poucos dias da votação, esquivou-se: “Aconteceu que fiquei sabendo que não tinha sido aumentado”.


O reajuste eleva o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 e o pagamento médio para R$ 777, com custo de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027, e começa a ser pago em 19 de outubro, seis dias antes do segundo turno.


O “não sabia” é uma fórmula conhecida. No Mensalão, em 2005, o então presidente disse ter sido traído por práticas das quais “nunca teve conhecimento”. No Petrolão, o esquema de desvios bilionários na Petrobras revelado pela Lava Jato, sempre negou conhecer a engrenagem, embora ex-diretores da estatal que ocuparam os cargos nos governos do PT, como Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento, tenham confessado em delação o pagamento de propina, e o ex-tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, tenha sido preso. As condenações do próprio Lula em ações da operação foram anuladas pelo Supremo em 2021 por razões processuais, sem análise do mérito, e Vaccari reaparece agora na proposta de delação de Daniel Vorcaro, que o aponta como intermediário de pagamentos ligados ao Instituto Lula. No escândalo do INSS, que desviou recursos de aposentados e pensionistas por anos, o então ministro da Previdência, Carlos Lupi, alegou saber de denúncias pontuais, mas não da dimensão da fraude, e o próprio presidente só tratou do assunto num pronunciamento em rede nacional depois que o caso explodiu. Neste ano, a lista continuou: Lula disse que “nunca viu” a lobista Roberta Luchsinger, embora registros do Planalto confirmem a entrada dela no prédio e mensagens a descrevam na sala dele. Sobre o advogado Walfrido Warde, que relatou a Vorcaro o agradecimento do presidente pelo uísque, afirmou: “A conversa do Walfrido eu nego, eu não sei o que que ele falou”. A Secom disse que o presidente “não tem conhecimento da suposta articulação” e “não recebeu presente”, e o próprio Lula, em seguida, admitiu: “Se me deu whisky, já bebi”. O encontro dele com Vorcaro, por sinal, não constou da agenda oficial.


Na mesma entrevista, o presidente disse que a “responsabilidade é toda” dele pelo resultado do primeiro turno e pela desaprovação ao governo. Assume o placar das urnas, mas não as decisões que o antecedem. Ou sabia do congelamento e escolheu o momento do anúncio, ou não sabia, e então o chefe do governo desconhecia o valor do programa que mais usa como bandeira, a ponto de só descobri-lo a duas semanas da eleição. Nenhuma das hipóteses favorece quem pede o voto para um quarto mandato.


Carlos Dias, FRSA. Assine o Rumo News!
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