Memorando de inteligência dos EUA diz que Irã aumentou planos para matar americanos no exterior
Documento enviado a Marco Rubio afirma que as tramas estão em “estágio avançado” no Oriente Médio e em outros países

O Irã “aumentou substancialmente” os esforços para atingir americanos no exterior, e as tentativas de matar cidadãos dos Estados Unidos chegaram a “estágio avançado” no Oriente Médio e em outros países, de acordo com um memorando de inteligência. O documento foi enviado na sexta-feira (23) ao secretário de Estado, Marco Rubio, pelo diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton, e teve a autenticidade confirmada por autoridades americanas.
“Especificamente, por meio de vários canais, recebemos informações de que o Irã aumentou substancialmente os esforços para atingir pessoal dos EUA”, afirma o texto. “Os esforços letais de planejamento dos iranianos contra cidadãos americanos chegaram a estágios avançados tanto no Oriente Médio quanto em certos outros países.” O memorando, não classificado, diz ainda que os órgãos de inteligência vão trabalhar para reduzir o grau de sigilo de parte das informações, de modo que possam ser compartilhadas com funcionários do Departamento de Estado.
O alerta vem dias depois de o governo americano determinar a saída da Arábia Saudita de servidores não essenciais e de seus familiares, por causa da escalada de ataques dos houthis, grupo terrorista do Iêmen financiado pelo Irã, que lançou várias ofensivas com mísseis contra o reino. Uma autoridade disse que o governo avalia continuamente as ameaças e que “a ameaça de ataques houthis e de tramas terroristas iranianas contra autoridades dos EUA” está orientando os ajustes de pessoal em embaixadas da região. O Departamento de Estado esclareceu, na semana, que a ordem de saída vale só para a Arábia Saudita e classificou de “imprecisas” as notícias sobre um fechamento regional mais amplo. A pasta já havia renovado, no fim de setembro, o alerta a americanos que viajam pelo Oriente Médio.
O documento reforça o quadro de risco para os americanos no exterior, num momento em que o presidente Donald Trump pondera uma nova rodada de ataques contra o Irã se Teerã não chegar a um acordo. A Casa Branca afirmou na terça-feira (20) que não haverá ofensiva antes das eleições legislativas de 3 de novembro, e na quinta-feira (22) o presidente Trump acusou o regime de inventar ataques e minas em Ormuz para inflar o preço do petróleo, afirmando que passa hoje mais petróleo pelo estreito do que antes da guerra. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, diz que a proposta de reabrir a hidrovia em sete dias segue de pé, e o Exército do país ameaça “expulsar” os americanos da região.
O petróleo superou US$ 116 por barril na sexta-feira, em meio às tensões, a Embaixada dos EUA em Riad já recomendava reconsiderar viagens ao país depois do ataque houthi ao aeroporto da capital, que matou 12 pessoas, entre elas um americano, e a França acionou o acordo para proteger instalações petrolíferas sauditas. O memorando indica que o conflito, em curso desde 28 de fevereiro, não se limita aos mares e aos campos de batalha, e que o regime busca atingir diplomatas e funcionários em outras frentes, o que tende a endurecer ainda mais a posição americana nas negociações.





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