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Moody's eleva nota da Argentina e país recebe terceiro upgrade em menos de três meses

Todas as três grandes agências agora classificam Argentina acima da categoria de alto risco pelo primeiro vez em anos



A Moody's elevou nesta terça-feira (21) a classificação de crédito soberano da Argentina de Caa1 para B3 com perspectiva positiva, concedendo ao país seu terceiro upgrade em menos de três meses e consolidando a validação internacional do programa de reformas do presidente Javier Milei. Com a decisão, as três maiores agências de classificação de risco do mundo — Moody's, Fitch e S&P — agora classificam a Argentina acima da categoria de alto risco, um marco para um país que passou anos entre os tomadores de empréstimos soberanos mais arriscados do mundo.


"A elevação da classificação reflete nossa avaliação de que o risco de inadimplência da Argentina diminuiu substancialmente, à medida que a estabilização macroeconômica avançou além da fase inicial de ajuste para uma melhora mais duradoura nos fundamentos de crédito, um sinal de melhoria na governança", escreveram os analistas da Moody's. A agência também destacou a melhora nas perspectivas externas do país, impulsionada por exportações mais fortes e aumento do investimento estrangeiro direto nos setores de energia e mineração.


O spread dos títulos soberanos argentinos em relação aos títulos americanos caiu para quase 400 pontos-base, o menor nível em oito anos, numa trajetória que reflete a transformação das contas públicas promovida por Milei. O governo manteve superávits fiscais, recorreu à emissão de dívida em dólares sob legislação local e a acordos de recompra com bancos internacionais, e o banco central acelerou a acumulação de reservas, ultrapassando a meta do FMI de comprar mais de US$ 10 bilhões em moeda estrangeira no primeiro semestre de 2026. A Fitch havia elevado a nota argentina para B1 em maio e a S&P havia feito movimento semelhante em junho, ambas citando o sucesso de Milei na recuperação fiscal e na redução da inflação, que estava em três dígitos quando o presidente tomou posse em dezembro de 2023.


A perspectiva positiva da Moody's sinaliza a possibilidade de novos upgrades à medida que a Argentina continue implementando melhorias estruturais, embora a agência tenha alertado para riscos antes da eleição presidencial de 2027. O contraste com o Brasil é inevitável: enquanto a Argentina acumula seu terceiro upgrade de nota em três meses com spread de 400 pontos-base e superávit fiscal, o Brasil vê sua dívida bruta subir para 81,1% do PIB pela métrica do Banco Central e para 94,3% pela métrica do FMI, acumula déficits primários sistematicamente piores que as expectativas e tem o Tesouro IPCA+ 2032 renovando máximas históricas acima de 8,5% ao ano enquanto o mercado exige prêmio crescente para financiar o governo federal.



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