Boletim Focus mantém cenário de baixo crescimento e juros elevados, enquanto inflação segue acima do ideal
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Mercado reduz ligeiramente a projeção do IPCA para 2026, mas mantém expectativa de economia fraca, crédito caro e inflação persistente nos próximos anos

O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira. O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do Banco Central. (Fonte: bcb.gov.br)
O mais recente Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil nesta segunda-feira (20), reforça que a economia brasileira continua cercada por perspectivas pouco animadoras. Apesar da terceira queda consecutiva na projeção da inflação para 2026, os indicadores seguem apontando para um ambiente de crescimento limitado, juros elevados e inflação ainda distante de um cenário confortável, mantendo o horizonte econômico cercado por incertezas.
INFLAÇÃO
As projeções para a inflação continuam indicando um cenário de pressão persistente sobre os preços, mesmo com uma leve melhora na estimativa para o próximo ano.
Para 2026, a projeção do IPCA recuou de 5,16% para 5,15%, registrando a terceira queda consecutiva. Ainda assim, o índice permanece em um patamar elevado quando comparado aos 5,33% registrados há quatro semanas, sinalizando que o mercado continua enxergando dificuldades para uma desaceleração mais consistente da inflação.
Para 2027, a estimativa permaneceu estável em 4,20%, sem alterações há uma semana.
Em 2028, a projeção avançou de 3,70% para 3,78%, interrompendo a estabilidade recente e indicando nova deterioração nas expectativas.
Já para 2029, o mercado manteve a previsão em 3,50%, patamar estável há 46 semanas consecutivas.
No caso do IGP-M, a expectativa para 2026 recuou de 5,61% para 5,55%, acumulando a terceira queda consecutiva.
Para 2027, a projeção subiu para 4,12%, registrando a primeira alta.
Em 2028, a estimativa avançou para 3,86%, também na primeira semana de elevação.
Para 2029, a previsão permaneceu em 3,77%, estável há cinco semanas.
Os preços administrados permaneceram em 5,00% para 2026, mantendo estabilidade pela quinta semana consecutiva.
Para 2027, a projeção seguiu em 3,85% há uma semana.
Em 2028, a expectativa permaneceu em 3,50% pela quarta semana seguida, enquanto 2029 continua em 3,50%, acumulando 53 semanas consecutivas sem alterações.
PIB
As perspectivas para o crescimento econômico seguem indicando uma economia com capacidade limitada de expansão nos próximos anos.
Para 2026, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 1,99%, permanecendo estável pela terceira semana consecutiva, após registrar 1,98% há quatro semanas.
Em 2027, a estimativa continuou em 1,65%, mantendo-se estável há uma semana e reforçando a expectativa de crescimento modesto.
Para 2028, o mercado manteve a projeção de expansão em 2,00%, estável há 123 semanas consecutivas.
Já para 2029, a expectativa também permaneceu em 2,00%, sem alterações há 70 semanas.
CÂMBIO
As projeções para o dólar continuam indicando expectativa de uma moeda brasileira desvalorizada nos próximos anos.
Para 2026, a previsão para o câmbio foi mantida em R$ 5,20, permanecendo estável pela quinta semana consecutiva.
Em 2027, a projeção também permaneceu em R$ 5,28, acumulando três semanas sem alterações.
Para 2028, a estimativa recuou de R$ 5,34 para R$ 5,30, registrando a segunda queda consecutiva.
Já para 2029, a expectativa foi mantida em R$ 5,40, permanecendo estável pela quinta semana seguida.
SELIC
As expectativas continuam apontando para um período prolongado de juros elevados, mantendo o crédito caro e impondo desafios adicionais ao crescimento da economia.
Para 2026, a projeção para a taxa Selic permaneceu em 14,00% ao ano, estável pela quarta semana consecutiva.
Em 2027, a expectativa foi mantida em 12,00% ao ano, sem alterações há cinco semanas.
Para 2028, a projeção continuou em 10,50% ao ano, estável pela terceira semana seguida.
Já para 2029, o mercado manteve a estimativa em 10,00% ao ano, patamar preservado pela 11ª semana consecutiva.
O conjunto das projeções reforça um cenário de recuperação lenta para a economia brasileira. Mesmo com pequenas revisões positivas em alguns indicadores, a combinação de inflação ainda elevada, juros persistentemente altos e crescimento econômico modesto continua limitando as perspectivas de expansão da atividade, mantendo investidores, empresas e consumidores diante de uma conjuntura de elevada cautela.
