O Triunfo da Direita no primeiro turno
Direita avança em todas as frentes e Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno na dianteira

O primeiro turno das eleições gerais de 2026, realizado no domingo (4), terminou com um resultado triunfante e que contrariou boa parte das pesquisas eleitorais divulgadas ao longo da campanha. Concluída a totalização pelo Tribunal Superior Eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) somou 56.104.503 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos, e superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 53.879.538 votos, ou 45,16%. A diferença entre os dois ultrapassa 2,2 milhões de eleitores, e a decisão definitiva ficará para o dia 25 de outubro.
O desempenho do parlamentar fluminense ganha relevo quando confrontado com os levantamentos que antecederam a votação. Na rodada do Datafolha realizada entre 2 e 3 de outubro, o chefe do Executivo aparecia com 42% das intenções de voto, contra 40% do adversário. Na última sondagem do PoderData antes da abertura das urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrava 45% dos votos válidos, ante 43% do senador. As urnas inverteram essa ordem e colocaram o candidato à reeleição, aos 80 anos, na incômoda condição de perseguidor.
A aritmética do segundo turno também tende a favorecer o candidato do PL. Fora da polarização principal, restaram cerca de 7,8% dos votos válidos, pouco mais de 9,3 milhões de eleitores. Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro lugar, com 3.448.569 votos, o que corresponde a 2,89%. Renan Santos (Missão) recebeu 2.675.887 votos, ou 2,24%, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) obteve 2.605.148 votos, ou 2,18%, e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) ficou com 326.488 votos, apenas 0,27%.
Mantido o comparecimento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisaria conquistar aproximadamente 62% desse contingente para atingir a maioria absoluta, ao passo que ao senador Flávio Bolsonaro bastariam cerca de 38%. O Datafolha divulgado em 23 de setembro indicava que, entre os eleitores dos quatro candidatos da chamada terceira via, 43% optariam pelo senador numa disputa direta, enquanto apenas 30% escolheriam o atual mandatário.
As primeiras manifestações dos derrotados reforçam esse quadro. Ainda na noite de domingo, Romeu Zema declarou que estará do lado oposto ao PT na etapa final, sinalizando apoio ao candidato do PL. Dirigentes do Avante pressionam Augusto Cury a anunciar adesão ao senador, embora o escritor ainda não tenha revelado sua posição. Ronaldo Caiado afirmou que conversará com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, antes de qualquer anúncio. Renan Santos, por sua vez, recusou-se a apoiar qualquer dos finalistas e liberou sua militância, mas avaliou publicamente que a eleição já pertence ao senador Flávio Bolsonaro.
No Senado Federal, o resultado assumiu proporções históricas. O PL elegeu 19 das 54 cadeiras em disputa, o maior número de senadores conquistado por uma única legenda em uma mesma eleição desde a promulgação da Constituição de 1988. Somados aos nove parlamentares cujos mandatos se estendem até 2031, o partido iniciará a próxima legislatura com 28 representantes, a mais numerosa bancada partidária já registrada no começo de uma legislatura desde então, superando a marca de 27 senadores alcançada pelo então PMDB em 1999. A legenda conquistou as duas vagas no Distrito Federal, em Mato Grosso do Sul, no Rio de Janeiro, em Rondônia e em Santa Catarina. Entre os eleitos figuram a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), o vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) e a deputada federal Carol de Toni (PL-SC), o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), eleito ao lado do senador Carlos Portinho (PL-RJ), reconduzido ao cargo, além do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) e do deputado federal Filipe Barros (PL-PR). O campo liberal ainda emplacou o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo-PR) e o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), enquanto em São Paulo as duas vagas ficaram com o ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP-SP) e o presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado (PL-SP). O PSD, em sentido inverso, verá sua representação encolher para apenas cinco senadores.
Na Câmara dos Deputados, o avanço repetiu-se em escala ainda maior. O PL elegeu 121 deputados federais, segundo a apuração praticamente concluída, 22 a mais do que em 2022, e passará a deter a maior bancada formada por um único partido, deixando para trás o recorde de 105 cadeiras obtido pelo PFL em 1998. Em Minas Gerais, o partido conquistou 21 das 53 vagas do estado, impulsionado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que recebeu 3.119.318 votos e tornou-se o parlamentar mais votado da história do país. No Rio de Janeiro, a legenda ficou com 15 das 46 cadeiras, quase o dobro das oito obtidas pela federação governista.
Nos governos estaduais, o PL foi o partido que mais elegeu governadores já no primeiro turno, com cinco vitórias. O ex-juiz e senador licenciado Sergio Moro (PL-PR) venceu no Paraná com 3.127.911 votos, ou 50,10% dos válidos. O deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) foi eleito no Rio Grande do Sul com 58%, o governador Jorginho Mello (PL-SC) assegurou a reeleição em Santa Catarina, o senador Marcos Rogério (PL-RO) venceu em Rondônia com 57% e Arthur Henrique (PL-RR) conquistou Roraima com 69%. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) foi reconduzido com 62,65% dos votos válidos, impondo ao ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) uma derrota devastadora por margem superior a 26 pontos percentuais. Em Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) elegeu-se governador com 55%, mais que o dobro dos 26% obtidos pelo ex-ministro Patrus Ananias (PT-MG). No Rio de Janeiro, o deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ) ficou a menos de um ponto da vitória, com 49,27%, e enfrentará Eduardo Paes (PSD-RJ) no segundo turno.
Para a esquerda, o saldo da noite ficou restrito a seus redutos tradicionais. O PT preservou os governos da Bahia e do Ceará e manteve nove senadores, mas sofreu derrotas expressivas nos três maiores colégios eleitorais do país e assistiu ao colapso de aliados regionais. O contraste entre a retração governista e a expansão do PL desenha um Congresso majoritariamente de direita.
Com a liderança na corrida presidencial, as maiores bancadas nas duas Casas legislativas e governadores eleitos nos principais estados do Sul e do Sudeste, o campo conservador chega à reta final da disputa em posição mais favorável do que em qualquer momento desde 2018, a três semanas do segundo turno.





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