top of page

Petróleo volta disparar após Trump sinalizar que guerra contra o Irã continuará sem prazo definido para o fim

Brent atinge US$ 109 e WTI supera US$ 106 com temores de interrupção prolongada no fornecimento; petroleiro do Catar é atingido por míssil iraniano e AIE alerta que Europa sentirá os efeitos em abril



Os preços do petróleo dispararam quase 9% nesta quinta-feira depois que o presidente Donald Trump descartou a possibilidade de um cronograma específico para o fim da guerra contra o Irã, sinalizando que os ataques continuarão até que os objetivos militares sejam plenamente alcançados. O barril do tipo Brent subia US$ 8,90, ou 8,9%, para US$ 109, enquanto o WTI avançava US$ 6,40, ou 6,4%, para US$ 106,52. A inversão foi abrupta: os dois índices chegaram a cair mais de US$ 1 antes do discurso televisionado do presidente americano para a nação, e reverteram completamente o movimento após suas declarações.


"Vamos terminar o trabalho, e vamos terminá-lo muito rápido. Estamos chegando muito perto", disse Donald Trump, acrescentando que as forças armadas americanas estavam próximas de atingir seus objetivos. A ausência de um prazo determinado e de detalhes sobre o que exatamente constitui a conclusão da operação foi suficiente para reacender o prêmio de risco no mercado de petróleo, que havia recuado nos dias anteriores com sinalizações de negociações em andamento.


O contexto físico do mercado reforçou a alta. Na quarta-feira, um petroleiro alugado pela QatarEnergy foi atingido por um míssil de cruzeiro iraniano em águas do Catar, segundo o Ministério da Defesa do país. O ataque a uma embarcação ligada a um dos maiores exportadores de gás natural liquefeito do mundo demonstra que o regime iraniano está disposto a ampliar o raio de seus ataques além das rotas tradicionais do Estreito de Hormuz, ameaçando também a infraestrutura energética de países do Golfo que não estão diretamente envolvidos no conflito.


O alerta mais preocupante para as próximas semanas veio do chefe da Agência Internacional de Energia, que advertiu que as interrupções no fornecimento de petróleo começarão a afetar a economia europeia em abril. Até agora, o continente havia sido protegido por cargas contratadas antes do início da guerra em 28 de fevereiro, mas esse estoque de segurança está se esgotando. Quando as entregas previamente acordadas forem concluídas sem reposição equivalente, o impacto que a Europa ainda não sentiu na íntegra chegará de forma concentrada, exatamente no momento em que o Bank of America projeta o pico do déficit de oferta global e os preços tendem a permanecer elevados.


A combinação de um presidente americano que sinalizou continuidade dos ataques, um regime iraniano que expande seus alvos para petroleiros de países neutros e uma Europa prestes a sentir o choque energético na pele cria o ambiente para que o petróleo permaneça sob pressão nas próximas semanas, independentemente de qualquer avanço diplomático pontual. O mercado aprendeu nas últimas semanas que cada declaração de paz pode ser desmentida em horas, mas que cada escalada militar tende a deixar marcas duradouras nos preços.



Comentários


bottom of page