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Petrobras aumenta o preço de combustível de aviação em 7,2%, para cerca de R$ 6,69 por litro

há 2 minutos
2 min de leitura

Segundo aumento seguido, depois de alta de 11,76% em outubro, acumula 90% desde março, pressiona as passagens e chega com o dólar acima de R$ 5,40



A Petrobras anunciou neste domingo (1º) um aumento de 7,2% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) às distribuidoras, o equivalente a R$ 0,45 por litro em relação a outubro. Com o reajuste, o litro passa de cerca de R$ 6,24 para R$ 6,69, conforme os valores confirmados pelo percentual divulgado pela estatal. A medida vale a partir de hoje.


Em comunicado à imprensa, a companhia atribuiu o aumento à alta das cotações internacionais do QAV, “em um cenário de intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio e de redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia em decorrência do conflito entre os dois países”. A Petrobras explicou que o querosene negociado no mercado internacional pode mudar de preço diariamente, enquanto os contratos brasileiros preveem atualização mensal, sempre no início do mês. Segundo a empresa, as variações acumuladas desde o início da guerra “têm sido superiores nos mercados internacionais às observadas no Brasil, indicando que o preço do QAV da Petrobras permanece competitivo”.


A sequência de aumentos, porém, é pesada. Em outubro, o combustível já havia subido 11,76%, e o reajuste de novembro é o primeiro de um dígito desde julho. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o QAV acumula alta de 90% desde março. Com isso, o peso do combustível nas despesas operacionais das companhias aéreas saltou de cerca de 32% para aproximadamente 45%, o que amplia a pressão sobre as margens e sobre o preço das passagens.


O aumento chega num momento em que vários fatores se somam contra o consumidor. O dólar, que na semana anterior à eleição estava abaixo de R$ 5, voltou a subir e operou perto de R$ 5,44 na sexta-feira (30), e o preço do querosene brasileiro acompanha o mercado internacional em dólar, de modo que a desvalorização do real encarece o insumo. O petróleo tipo Brent, por sua vez, fechou a semana na casa de US$ 113 por barril, sob o efeito da guerra com o Irã e da ameaça de nova ofensiva dos Estados Unidos depois das eleições legislativas de 3 de novembro. O resultado é um custo que as empresas aéreas repassam ao bilhete, e a passagem aérea, componente volátil do IPCA, tende a pressionar uma inflação que já está em 4,58% em 12 meses, acima do teto da meta.


O reajuste ocorre às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, na quarta-feira (4), com a Selic em 13,75% ao ano. O Copom terá de decidir entre cortar o juro, manter o patamar ou até avaliar um cenário de aperto, numa conjuntura em que petróleo, câmbio e déficit fiscal empurram os preços para cima e em que o governo, reeleito, ainda não anunciou sua equipe econômica nem um plano de ajuste fiscal. Para quem viaja, o saldo é um transporte aéreo mais caro, num país em que o avião é a única opção para boa parte das distâncias, e para o setor, uma conta que, na avaliação das companhias, só aumenta.


Carlos Dias, FRSA. Assine o Rumo News!
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