Petrobras lança edital de R$ 270 milhões para "projetos culturais" no maior investimento do tipo na história da empresa
- Núcleo de Notícias

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Montante supera os R$ 250 milhões investidos em cultura em 2024

A Petrobras lançará na próxima semana um edital para seleção de projetos culturais com aporte de R$ 270 milhões, o maior investimento em cultura já feito pela empresa, com duas categorias inéditas e distribuição mínima de R$ 40 milhões por região do Brasil.
Não há razão de princípio contra o apoio a projetos culturais, mas a magnitude do valor e o histórico de editais culturais de empresas estatais brasileiras levantam uma questão difícil de ignorar: quem, exatamente, receberá esses R$ 270 milhões?
A experiência de editais culturais de estatais no Brasil é consistente o suficiente para gerar desconfiança legítima. Projetos culturais financiados por empresas públicas tendem a concentrar recursos em artistas, produtoras e coletivos alinhados ao espectro político do governo de plantão, transformando o que deveria ser fomento à cultura numa forma sofisticada de distribuição de recursos públicos a aliados políticos.
O que torna a decisão ainda mais questionável é o custo de oportunidade. A Petrobras é uma empresa de tecnologia intensiva que opera em ambientes de altíssima complexidade, desde o pré-sal a 7 mil metros de profundidade até plataformas de processamento de dados geofísicos. R$ 270 milhões investidos em pesquisa e desenvolvimento, em parcerias com universidades para formação de engenheiros e geólogos, em laboratórios de tecnologia de ponta ou em programas para jovens talentos em áreas de energia e ciência teriam retorno mensurável, permanente e multiplicador para a economia brasileira. R$ 270 milhões em editais culturais produzem espetáculos, exposições e festivais que existem enquanto o dinheiro dura e desaparecem quando o edital fecha.
Num país que ocupa a última posição em educação primária e secundária e em força de trabalho produtiva entre as 70 economias avaliadas pelo ranking de competitividade do IMD, e que destina uma carga tributária europeia a serviços públicos de padrão muito inferior, a decisão de uma estatal de aplicar R$ 270 milhões no maior edital cultural de sua história é, no mínimo, uma escolha de prioridades questionável.




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