PF diz que Jaques Wagner acompanhou tramitação da "emenda Master" no Senado a pedido de sócio de Vorcaro
Relatório aponta ligações, encontros e envio do texto da proposta ao senador dias antes e no próprio dia da apresentação da emenda que ampliaria cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão

A Polícia Federal afirmou que o senador Jaques Wagner (PT-BA) acompanhou de perto matérias legislativas de interesse do Banco Master no Senado, segundo relatório tornado público na noite de sexta-feira (11).
O documento reproduz conversas entre Jaques Wagner, então líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, e sustenta que os diálogos indicam atuação direta do senador na chamada "emenda Master", apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) à PEC sobre autonomia financeira do Banco Central. A proposta ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa física.
Segundo a cronologia reconstituída pela PF, seis dias antes da apresentação da emenda, o publicitário Guilherme Sodré — amigo e pai do enteado de Jaques Wagner — procurou Vorcaro para tratar de um "tema importante" com urgência, pedindo que o assunto permanecesse "em sigilo". Após uma ligação, Guilherme Sodré informou que o chefe de gabinete do senador entraria em contato para agendar um encontro em Brasília. Na véspera da apresentação da proposta, o publicitário enviou a Daniel Vorcaro o número pessoal de Jaques Wagner acompanhado da mensagem "boa sorte". No dia em que a emenda foi de fato apresentada, 13 de agosto de 2024, Augusto Lima telefonou para o senador, e os dois conversaram por 9 minutos e 19 segundos. Logo após a ligação, o empresário encaminhou ao senador Jaques Wagner o link da própria emenda. Duas semanas depois, Augusto Lima esteve pessoalmente no gabinete do petista e voltou a enviar o texto da proposta após o encontro.
Para a PF, essa sequência de eventos configura, "em juízo indiciário, padrão de acompanhamento direto, pelo Senador Jaques Wagner, de pauta legislativa de interesse" do Master. O relatório também aponta um fluxo recorrente de mensagens de Augusto Lima ao senador sobre notícias relacionadas ao banco, e destaca como ponto culminante dessa troca uma mensagem enviada em 29 de março de 2025, na qual Augusto Lima, ao explicar a Jaques Wagner os termos da venda do Master ao BRB e afirmar que o grupo permaneceria no controle da instituição, escreveu: "Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!" Para os investigadores, a frase revela, nas próprias palavras do investigado, que Jaques Wagner "não era mero destinatário passivo de informações, mas parceiro consciente da trajetória do banco e das operações a ele associadas".
O relatório também aponta que o senador teria recebido vantagens econômicas indevidas de integrantes da cúpula do Master e de pessoas ligadas ao grupo. Entre os benefícios citados estão o uso gratuito de aeronaves vinculadas a Augusto Lima e ao próprio banco, ingressos para shows destinados ao senador e a familiares, a articulação para aquisição de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador e repasses de ao menos R$ 3,5 milhões à BN Financeira, empresa ligada à família do parlamentar.





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