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Pobreza na Argentina cai ao menor nível em sete anos

Resultado representa queda de quase 25 pontos percentuais desde o pico de 52,9% registrado no início do governo Milei; inflação recuou de 25,5% ao mês para 2,9% em pouco mais de dois anos



A Argentina registrou no segundo semestre de 2025 o menor índice de pobreza desde o primeiro semestre de 2018, quando o indicador estava em 27,3%. Segundo dados do Indec, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos, 28,2% da população argentina vive abaixo da linha de pobreza, o equivalente a 8,5 milhões de pessoas. A miséria atinge 6,3% da população, ou 1,9 milhão de argentinos. Em comparação com o primeiro semestre de 2025, a redução foi de 3,4 pontos percentuais, e em relação ao segundo semestre de 2024, o recuo chega a 9,9 pontos.


O governo do presidente Javier Milei comemorou o resultado com ênfase na trajetória percorrida desde o início da gestão. Quando assumiu o poder, no primeiro semestre de 2024, a pobreza havia disparado para 52,9%, reflexo do colapso econômico herdado do governo do ex-presidente Alberto Fernández. A Casa Rosada atribuiu o pico ao antecessor e destacou que, desde então, a queda acumulada chega a 24,7 pontos percentuais, uma das reduções mais expressivas do indicador registradas na história recente do país.


O mecanismo por trás da melhora é identificável nos próprios dados do Indec. A renda total familiar aumentou em média 18,3% no segundo semestre de 2025 em relação ao semestre anterior, enquanto o custo da Cesta Básica Alimentar cresceu 11,9% e o da Cesta Básica Total subiu 11,3%. A diferença entre o crescimento da renda e o avanço dos custos básicos é o que permitiu que famílias antes abaixo da linha de pobreza cruzassem para o lado de cima. Em termos simples, os salários voltaram a crescer mais do que os preços, revertendo o processo inverso que havia empurrado metade da população para a pobreza.


O ministro da Economia, Luis Caputo, atribuiu a redução da pobreza ao crescimento econômico e ao processo de desinflação, que é talvez o dado mais impressionante do ajuste argentino. A inflação mensal, que estava em 25,5% em dezembro de 2023, primeiro mês de Milei no poder, recuou para 2,9% em fevereiro de 2026. A trajetória representa uma das desacelerações inflacionárias mais rápidas da história argentina, viabilizada por um ajuste fiscal draconiano que, embora tenha gerado queda abrupta do consumo no curto prazo, criou as condições para a estabilização da economia.


O contraste com o Brasil é inevitável. Enquanto a Argentina, que adotou um programa de liberdade econômica e corte radical de gastos públicos, vê a pobreza cair a níveis históricos e a inflação recuar para um dígito, o Brasil fecha fevereiro com déficit nominal de R$ 100 bilhões num único mês, dívida pública caminhando para R$ 10 trilhões e Banco Central forçado a manter juros elevados por mais tempo para conter a inflação que o próprio gasto governamental alimenta. Os resultados da Argentina, por mais que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prefira ignorar, são um dado empírico sobre o que acontece quando um Estado decide gastar menos do que arrecada e deixar a economia funcionar.



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