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Portugal vai às urnas neste domingo para eleições presidenciais

Avanço do Chega altera equilíbrio político e pode levar o país a um segundo turno presidencial pela primeira vez em 40 anos



Portugal vai às urnas neste domingo (18) para uma eleição presidencial que já é considerada a mais competitiva da história recente do país. Pela primeira vez desde a consolidação do regime democrático, candidatos da esquerda, do centro-direita e da direita disputam voto a voto a chefia do Estado em um cenário de quase equilíbrio. O pleito ocorre menos de um ano após as eleições legislativas que renovaram o Parlamento e definiram o atual primeiro-ministro, marcando um ambiente político ainda marcado por instabilidade e rearranjos de força.


Cerca de 11 milhões de eleitores estão aptos a votar para escolher o sucessor do presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, que ocupa o cargo há quase uma década e está constitucionalmente impedido de disputar um terceiro mandato consecutivo. Em Portugal, o sistema semipresidencialista confere ao presidente funções institucionais, mas com poderes relevantes em momentos de crise, como a dissolução do Parlamento, a demissão do governo, a convocação de eleições antecipadas e o comando das Forças Armadas, o que amplia o peso político da escolha.


O atual cenário eleitoral reflete o crescimento expressivo da direita no país, especialmente do Chega, que se consolidou como a segunda maior força política nas últimas eleições legislativas. De acordo com levantamento do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP), da Universidade Católica Portuguesa, o presidente do Chega, André Ventura, lidera as intenções de voto com 24%. Logo atrás aparece António José Seguro, do Partido Socialista, com 23%, seguido por João Cotrim, da Iniciativa Liberal, que soma 19%.


André Ventura é conhecido por manter alinhamento político com o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, o que tem ampliado sua visibilidade internacional e reforçado sua imagem junto ao eleitorado mais conservador. A disputa acirrada, no entanto, torna improvável uma definição já no primeiro turno. Caso nenhum candidato ultrapasse a marca de 50% dos votos válidos, a legislação portuguesa prevê a realização de um segundo turno em 8 de fevereiro.


Se esse cenário se confirmar, será a primeira vez em quatro décadas que uma eleição presidencial em Portugal não é resolvida na primeira rodada, um indicativo claro de fragmentação política e de mudança no padrão eleitoral do país. O resultado deste domingo poderá redefinir não apenas o papel da Presidência, mas também o equilíbrio institucional em um momento sensível da política portuguesa.


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