Trump acusa Canadá de querer "os benefícios de ser um Estado, sem sê-lo"
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Presidente americano faz primeiros comentários públicos após colapso das negociações comerciais

O presidente Donald Trump criticou duramente o Canadá neste domingo (23) em seus primeiros comentários públicos desde o colapso das negociações comerciais entre os dois países, acusando Ottawa de querer "os benefícios de ser um Estado, sem sê-lo". "O Canadá quer os benefícios de ser um Estado, sem sê-lo!!!", escreveu o presidente Trump na rede Truth Social. "Eles também cobraram dos nossos grandes fazendeiros, por muitos anos, quantidades massivas de tarifas. Chega!!!", acrescentou.
As declarações vêm um dia depois de o primeiro-ministro canadense Mark Carney suspender as negociações com os Estados Unidos e ordenar o retorno da equipe negociadora canadense a Ottawa, na esteira da entrada em vigor, na madrugada de sábado, das tarifas de 50% do presidente Donald Trump sobre cerca de US$ 20 bilhões em importações canadenses. Em resposta, o Canadá prometeu retaliar. O premiê Mark Carney afirmou na sexta-feira que Ottawa pretende igualar as tarifas americanas "dólar por dólar", com taxas mirando múltiplos setores, incluindo aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, celulose e papel, e eletrônicos. As novas tarifas canadenses devem entrar em vigor no dia 8 de setembro.
O primeiro-ministro acusou neste sábado o governo americano de ter feito, na última hora, um "jogo de poder", alegando que os Estados Unidos buscavam restringir a capacidade do Canadá de negociar acordos comerciais com outros países. "É um jogo de poder. Isso se torna uma questão de soberania", disse Mark Carney. Segundo o primeiro-ministro, as negociações fracassaram depois que os americanos introduziram novas exigências envolvendo as demais relações comerciais do Canadá, o setor automotivo do país e proteções à cultura canadense e à língua francesa. "Em resumo, eles pediram demais e ofereceram de menos", afirmou o primeiro-ministro canadense.
O governo Trump contestou a versão de Carney, argumentando que foi o Canadá quem recuou de termos já previamente acordados entre os dois países. "Nosso interesse é proteger os trabalhadores americanos e proteger as cadeias de suprimento americanas. Estivemos oferecendo trazer os canadenses nesse caminho, na verdade reduzindo as tarifas sobre eles em aço, automóveis, até madeira, coisas que são sensíveis para eles", disse o representante comercial americano Jamieson Greer no sábado. "E eles sempre tiveram o melhor acordo, e ainda teriam um acordo ainda melhor, mas não quiseram isso", completou. Jamieson Greer informou ainda que não há novas negociações comerciais agendadas com o Canadá.




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