Trump diz que Brasil se tornou "um pouco agressivo" e "politicamente perigoso" durante encontro do G7 na França
- Núcleo de Notícias

- há 4 dias
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Declaração do presidente americano ocorre após semanas de ataques públicos de Lula a Marco Rubio, que o presidente chamou de "inimigo mortal" e "latino-americano frustrado"

O presidente Donald Trump disse a jornalistas nesta quarta-feira (17), durante encontro do G7 na França, que o Brasil se tornou um país "um pouco agressivo" e "politicamente perigoso". A declaração não surge isolada: é a culminação de semanas de retórica cada vez mais hostil por parte do governo brasileiro em relação a Washington, num momento em que o relacionamento bilateral atravessa sua fase mais tensa em décadas.
O caso mais emblemático dessa escalada verbal foi a sequência de ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao secretário de Estado Marco Rubio. Em evento em Catalão (GO), Lula chamou Rubio de "anti-América Latina" e "inimigo mortal" de países da região, revelando que já havia feito críticas semelhantes diretamente ao presidente Trump durante a reunião na Casa Branca em maio. Dias depois, durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula intensificou o tom, classificando o secretário Rubio como um "latino-americano frustrado" e afirmando que o Brasil "venderá para quem quiser comprar" se os Estados Unidos reduzirem as compras de produtos brasileiros.
O mesmo discurso na reunião ministerial incluiu a acusação velada de "traição da pátria" contra o senador Flávio Bolsonaro, que havia se reunido com o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance e o secretário Marco Rubio em Washington para pedir que empresas brasileiras não fossem taxadas e que obteve a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, medida que o próprio governo brasileiro havia recusado sistematicamente fornecer em cooperação aos americanos.
A esse quadro se soma a decisão do governo de planejar a primeira emissão de "panda bonds" em yuan chinês, movimento que sinaliza disposição brasileira de se aproximar financeiramente da China exatamente no momento em que Washington pressiona o Brasil com tarifas. O contingenciamento de R$ 4,3 bilhões no orçamento da Defesa, que suspendeu a Operação Agata de combate ao crime organizado nas fronteiras, ocorreu na mesma semana em que os Estados Unidos classificaram as facções criminosas brasileiras como terroristas, reforçando a percepção em Washington de que o governo brasileiro não trata o combate ao narcotráfico como prioridade real.
A classificação de "politicamente perigoso" feita pelo presidente Donald Trump em solo francês, portanto, não é uma observação isolada, mas o resumo de uma percepção que vem se consolidando em Washington ao longo dos últimos meses: um governo brasileiro que combina retórica anti-americana cada vez mais agressiva, resistência à cooperação em segurança, aproximação deliberada com a China e ataques pessoais ao segundo nome mais importante da diplomacia americana.




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