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Você paga: Governo Lula dá aval do Tesouro a novo empréstimo de R$ 7 bilhões dos Correios

há 7 horas
2 min de leitura

Despacho de Dario Durigan cobre crédito de bancos privados para o plano de reestruturação, enquanto a empresa acumula 15 trimestres seguidos de prejuízo



O ministro da Fazenda, Dario Durigan, autorizou a concessão de garantia do Tesouro Nacional a um empréstimo de R$ 7 bilhões para os Correios. O despacho foi assinado na terça-feira (27) e publicado nesta quarta-feira (28) no Diário Oficial da União, logo depois do segundo turno da eleição presidencial. O crédito será concedido por um consórcio formado pelo ABC Brasil, o Citibank, o Deutsche Bank e o JPMorgan e integra o Plano de Reestruturação 2025-2027 da estatal. Com o aval, a União se compromete a pagar as parcelas aos bancos caso a empresa não cumpra o contrato.


Pelos termos divulgados, R$ 5 bilhões devem ser liberados na assinatura e os R$ 2 bilhões restantes até dezembro, com prazo de 15 anos para o pagamento e carência de três anos. A garantia era esperada desde setembro, quando os Correios chegaram a prever o fechamento da operação, que já constava das demonstrações financeiras do primeiro semestre, divulgadas no fim de agosto. O contrato ainda será celebrado entre a estatal e os bancos. A primeira tentativa previa R$ 20 bilhões com outro grupo de instituições, mas o Tesouro considerou excessiva a taxa, de cerca de 136% do CDI. Os Correios também confirmaram o compromisso do governo federal de aportar R$ 6 bilhões até o fim de 2027.


Esse é o segundo aval em menos de um ano. Em dezembro de 2025, a empresa contratou R$ 12 bilhões com Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander, também garantidos pelo Tesouro, o que eleva para R$ 19 bilhões o total de garantias concedidas à estatal em dez meses, fora o aporte de capital prometido. Os recursos servem para a empresa fechar o ano sem atrasar salários e sem aumentar ainda mais as dívidas com fornecedores.


Os números explicam a urgência. Os Correios acumulam 15 trimestres consecutivos de resultado negativo e tiveram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e de mais de R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre de 2026, depois de um prejuízo recorde no primeiro trimestre. O segundo trimestre foi menos ruim que os dois anteriores, o que sugere uma possível melhora, mas ainda dentro de um quadro de perdas bilionárias. Com isso, o déficit das estatais federais somou R$ 6,51 bilhões nos oito primeiros meses de 2026, segundo o Banco Central, o maior para o período e perto do recorde anual de R$ 6,73 bilhões, de 2024.


O risco, porém, é do contribuinte. Com 15 trimestres seguidos no vermelho, a chance de o Tesouro ter de honrar o aval é concreta, e a conta, nesse caso, cairia sobre o orçamento federal, num momento em que o governo central acumula déficit primário de R$ 94,9 bilhões em 2026, a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB e o ministro José Guimarães disse que um pacote de ajuste fiscal não é prioridade. É mais um de muitos passivos que o governo assume sem cortar gastos.


Carlos Dias, FRSA. Assine o Rumo News!
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