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Ali Khamenei ameaça guerra regional em caso de ataque dos EUA ao Irã

Líder supremo do Irã afirma que eventual ofensiva dos Estados Unidos levaria a um conflito generalizado



O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, elevou o tom contra os Estados Unidos ao afirmar que qualquer ação militar norte-americana contra o regime iraniano resultaria na expansão imediata do conflito para toda a região do Oriente Médio. A declaração foi feita neste domingo, em meio às comemorações do 47º aniversário da Revolução Islâmica de 1979, e ocorre em um contexto de crescente tensão envolvendo o programa nuclear iraniano, a repressão interna e o avanço da presença militar norte-americana na região.


Segundo o aiatolá, Washington deve estar ciente de que não se trataria de um confronto limitado. O líder do regime afirmou que o Irã não busca iniciar conflitos, mas deixou claro que responderia com força a qualquer ataque, incluindo ações contra Israel e ativos militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. A retórica reforça o papel do Irã como principal patrocinador de instabilidade regional, financiando e armando grupos terroristas e ampliando ameaças diretas ao Estado de Israel.


As declarações surgem enquanto o governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, intensificou sua presença naval na região e voltou a pressionar Teerã a aceitar um acordo nuclear mais rigoroso. O presidente Trump tem reiterado que não aceitará negociações que preservem a capacidade militar ofensiva do regime iraniano, ao mesmo tempo em que denunciou a violência empregada contra manifestantes internos. Apesar disso, autoridades iranianas afirmam estar dispostas a negociar apenas sob condições que não limitem o que classificam como “capacidade defensiva”.


No plano doméstico, o aiatolá Ali Khamenei classificou os recentes protestos contra o regime como uma “tentativa de golpe” , descrevendo-os como uma “sedição” voltada à tomada de centros de poder. O líder iraniano admitiu que forças de segurança reprimiram duramente as manifestações, que começaram no fim de dezembro em razão da crise econômica e rapidamente se transformaram no maior desafio político ao regime desde 1979. Dados oficiais apontam mais de 3 mil mortos, enquanto organizações independentes estimam números muito maiores, revelando a dimensão da violência empregada pelo Estado contra a própria população.


A resposta brutal do regime levou a uma reação internacional mais firme. A União Europeia decidiu incluir a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã na lista de organizações terroristas, citando seu papel central na repressão interna e na exportação de violência para outros países. Em resposta, parlamentares iranianos retaliaram simbolicamente ao rotular forças armadas europeias como terroristas, em uma sessão marcada por encenações, uniformes militares e slogans hostis contra os Estados Unidos, Israel e a Europa.


O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou a União Europeia de agir sob ordens de Washington e de Israel, afirmando que a decisão aceleraria o declínio da relevância europeia no cenário internacional. A retórica, no entanto, contrasta com o isolamento crescente do Irã, que enfrenta sanções, deterioração econômica e perda de legitimidade externa.


A Guarda Revolucionária, criada após a Revolução Islâmica para proteger o regime clerical, exerce influência direta sobre amplos setores da economia, das forças armadas e dos programas balístico e nuclear do país. Sua designação como organização terrorista por países ocidentais, agora acompanhada pela União Europeia, representa um revés significativo para Teerã e reforça a percepção internacional de que o regime iraniano atua como agente desestabilizador e financiador do terrorismo global.


Israel, alvo constante das ameaças iranianas, elogiou a decisão europeia. Autoridades israelenses destacaram que a Guarda Revolucionária é a principal força por trás da disseminação do terror no Oriente Médio e que a medida envia um sinal claro de apoio à população iraniana que resiste à repressão do regime.


O discurso do aiatolá Ali Khamenei, marcado por ameaças externas e justificativas para a violência interna, evidencia a fragilidade de um regime que sobrevive por meio da repressão, da retórica ideológica e da exportação de conflitos, ao mesmo tempo em que enfrenta crescente resistência popular e isolamento internacional.


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