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Estados Unidos e Irã retomam negociações nucleares sob ameaça de escalada militar no Oriente Médio

Donald Trump adverte sobre consequências graves caso acordo não avance, enquanto regime iraniano teme colapso interno diante de sanções, pressão militar e revolta popular


Imagem: The Times/Reprodução
Imagem: The Times/Reprodução

Estados Unidos e Irã devem retomar na sexta-feira, em Istambul, na Turquia, as negociações sobre o programa nuclear iraniano, em um cenário marcado por forte tensão militar e crescente instabilidade interna no regime de Teerã. A retomada do diálogo foi confirmada por autoridades iranianas e norte-americanas, ao mesmo tempo em que o presidente Donald Trump advertiu que “coisas ruins provavelmente acontecerão” caso não seja possível alcançar um acordo diplomático.


As conversas devem reunir o enviado especial norte-americano Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em uma tentativa de reabrir canais diplomáticos após meses de escalada militar e política. Segundo um diplomata regional, representantes de países como Arábia Saudita e Egito também devem participar das reuniões, em um esforço mais amplo para evitar um conflito regional de grandes proporções.


A retomada do diálogo ocorre enquanto os Estados Unidos ampliam de forma significativa sua presença naval nas proximidades do território iraniano. O presidente Donald Trump reiterou na segunda-feira que uma grande frota de navios de guerra norte-americanos está se deslocando em direção à região, como forma de pressionar Teerã a aceitar concessões concretas.


Em declaração no Salão Oval, o presidente americano afirmou que Washington prefere um acordo negociado, mas deixou claro que a alternativa militar permanece sobre a mesa. O chefe da Casa Branca afirmou que os Estados Unidos enviaram “os maiores e melhores navios” para a região e que o desfecho dependerá da disposição do regime iraniano em ceder. O presidente também ressaltou que não tem certeza se Teerã aceitará um entendimento, sinalizando ceticismo quanto às reais intenções do regime.


As tensões aumentaram após a violenta repressão do governo iraniano contra manifestações populares no mês passado, consideradas as mais sangrentas desde a Revolução Islâmica de 1979. O episódio reforçou o debate em Washington sobre a necessidade de conter um regime que, além de violar sistematicamente direitos humanos, atua como um dos principais financiadores de grupos terroristas no Oriente Médio, incluindo organizações que ameaçam diretamente a segurança de Israel.


De acordo com fontes ouvidas pela imprensa internacional, o presidente Donald Trump condicionou a retomada das negociações a três exigências centrais: enriquecimento zero de urânio em território iraniano, limitações ao programa de mísseis balísticos e o fim do apoio de Teerã a grupos terroristas regionais. O regime iraniano rejeita publicamente essas condições, alegando que representam violações de sua soberania, embora autoridades internas reconheçam que o programa de mísseis é hoje o principal obstáculo a qualquer acordo.


A fragilidade interna do regime iraniano tem sido motivo de preocupação crescente entre seus próprios dirigentes. Segundo fontes internas, altos funcionários alertaram o líder supremo Ali Khamenei de que a repressão violenta minou de forma irreversível o chamado “muro do medo” que mantinha a população sob controle. O temor é que uma eventual ação militar limitada dos Estados Unidos funcione como catalisador para uma nova onda de protestos, colocando em risco a sobrevivência do regime.


Essas avaliações internas contrastam com a retórica pública de desafio adotada por Teerã, que continua a ameaçar Israel e ativos norte-americanos na região. Autoridades iranianas afirmam que qualquer ataque resultaria em retaliações diretas, especialmente contra Israel, país que o regime iraniano declara abertamente desejar destruir.


Diante desse cenário, Israel reforçou sua prontidão militar. O Chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-general Eyal Zamir, afirmou que o país atravessa um período de intensificação da preparação para a guerra e que está pronto para uma sequência de ações ofensivas em múltiplas frentes. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também declarou que Israel está preparado para qualquer cenário e que responderá com força esmagadora a qualquer agressão.


Israel já demonstrou disposição para agir de forma decisiva contra o programa nuclear iraniano. Durante o conflito de junho de 2025, o país realizou ataques diretos contra instalações nucleares, líderes militares, cientistas envolvidos no programa atômico e infraestruturas de mísseis balísticos, com o objetivo declarado de impedir que o regime iraniano avance em direção à obtenção de armas nucleares.


Embora Teerã negue oficialmente buscar esse tipo de armamento, o histórico do regime inclui enriquecimento de urânio em níveis incompatíveis com fins civis, obstrução de inspeções internacionais e expansão acelerada de capacidades balísticas, elementos que sustentam a avaliação de Israel e de seus aliados de que o Irã segue determinado a desenvolver uma arma nuclear.


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