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Análise do comunicado do Copom


O comunicado do COPOM divulgado no dia 10 de dezembro, reflete um tom de cautela exacerbada, típico de um banco central sob pressão de múltiplos choques, mas com uma ênfase sutil na defesa da autonomia monetária frente a riscos fiscais e externos. A manutenção da Selic em 15% ao ano não surpreende, mas o que transparece nas entrelinhas é a relutância em sinalizar qualquer alívio iminente, priorizando a ancoragem das expectativas inflacionárias em um horizonte estendido até o segundo trimestre de 2027. Essa postura contracionista prolongada – explicitada como “significativamente contracionista por período bastante prolongado” – sugere que o Comitê vê o atual patamar como um “plano de base” para combater uma inflação persistente, alinhando-se à necessidade de credibilidade em um contexto de depreciação cambial (R$5,35/US$ no cenário de referência) e expectativas desancoradas (4,4% para 2025 e 4,2% para 2026, acima da meta de 3%).


No cenário doméstico, a moderação no crescimento (confirmada pelo PIB recente) contrasta com a “resiliência” no mercado de trabalho, o que implica, entrelinhas, uma preocupação com pressões salariais que alimentam a inflação de serviços – um risco de alta destacado como dependente de um “hiato do produto mais positivo”. Essa resiliência pode ser lida como um sinal de que o aperto monetário não está surtindo o efeito freio esperado na demanda agregada, devidamente agravado por uma política fiscal expansionista não mencionada explicitamente, mas aludida ao se referir aos “desenvolvimentos da política fiscal doméstica” que impactam a monetária. Do ponto de vista deste articulista, isso reforça a crítica à intervenção estatal: o BC é forçado a compensar desequilíbrios fiscais com juros elevados, distorcendo alocação de recursos e perpetuando um ciclo de dívida, que tenho constantemente defendido deva ser limitada na Constituição Federal, a um intervalo limite entre 60 e 75% do PIB.


Os riscos inflacionários são balanceados, mas os de alta dominam o tom, com menções a desancoragem prolongada, câmbio depreciado e conjunções de políticas externa/interna – uma indireta aos anúncios de tarifas comerciais dos Estados Unidos, que poderiam exacerbar choques de oferta. Os riscos de baixa (desaceleração doméstica ou global) são citados, mas parecem secundários, sugerindo que o Comitê não aposta em um “pouso suave” sem esforço monetário adicional. A projeção de IPCA em 3,2% para 2027 no cenário de referência (com trajetória de juros da Focus e câmbio via Paridade de Poder de Compra) indica otimismo condicional, mas vinculado a uma bandeira tarifária “amarela” e petróleo moderado, o que mascara vulnerabilidades a commodities voláteis, como as que afetam a balança comercial brasileira.


No curto prazo, essa postura do Copom implica uma estagnação prolongada, com projeções de crescimento do PIB limitadas a 1,5-2% ao ano no cenário base (conforme as estimativas da Focus e do próprio BC), agravando o custo-oportunidade para investimentos privados em setores como infraestrutura e manufatura, onde retornos precisam superar juros reais de 11-12% (Selic de 15% menos inflação projetada de 3-4%) para serem viáveis. Essa dinâmica perpetua o ciclo de dívida pública e praticamente elimina a inovação empreendedora, central à liberdade econômica, enquanto o hiato do produto negativo atual (estimado em -1% a -2%) poderia ser revertido por privatizações aceleradas de estatais ineficientes e descentralização ampla, liberando recursos e otimizando a alocação produtiva sem depender de intervenções estatais distorcivas. A longo prazo, a estabilidade de preços ancorada trará benefícios, mas sem uma âncora fiscal constitucional limitando a dívida entre 60% e 75% do PIB, o Banco Central seguirá refém do populismo, corroendo a prosperidade nacional.


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