Ata do Copom reforça cautela e avisa que ritmo dos cortes de Selic dependerá da evolução do cenário
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Comitê projeta IPCA de 5,2% em 2026, acima do teto da meta de 4,5%

O Comitê de Política Monetária reafirmou nesta terça-feira (23), na ata da reunião de junho publicada pelo Banco Central, que "a magnitude do ciclo de calibração da Selic será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta", num documento que combina cautela com sinalização de que os próximos passos dependem da clareza sobre os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços.
Na reunião encerrada em 17 de junho, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25%, o terceiro corte consecutivo e o terceiro de um "ciclo de calibração" iniciado em março após dez meses com a taxa mantida em 15%, o maior nível em quase duas décadas. Desde março, os juros caíram 0,75 ponto percentual no total.
"No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", diz a ata.
As projeções do Copom confirmam o quadro inflacionário preocupante que a ata busca endereçar. Para 2026, o comitê projeta alta de 5,2% no IPCA, acima do teto da meta de 4,5%, e para 2027, atual horizonte relevante da política monetária, estima alta de 3,7%, acima do centro da meta de 3,0%. Para os preços livres, o Copom projeta avanços de 5,3% em 2026 e 3,7% em 2027, enquanto os preços administrados devem subir 4,7% e 3,9% respectivamente. As projeções partem do cenário de referência com trajetória de juros do Focus de 15 de junho, bandeira tarifária amarela de energia elétrica em dezembro de 2026 e 2027, câmbio iniciando em R$ 5,10 e petróleo seguindo a curva futura por seis meses e depois crescendo 2% ao ano.
A linguagem da ata é reveladora sobre os limites do ciclo atual. Ao dizer que a magnitude dos cortes "será ajustada" e que o comitê aguarda "novas informações que aumentem a clareza", o Copom está sinalizando que o ritmo de 0,25 ponto por reunião não está garantido para as próximas reuniões e que a piora das expectativas pode levar à interrupção do ciclo antes do que o mercado precifica. Com o Focus projetando IPCA de 5,33% para 2026 na 15ª semana consecutiva de deterioração, o Tesouro IPCA+ 2032 renovando máximas históricas a 8,56% e o mercado apostando em apenas mais um corte de 0,25 ponto até o fim do ano, a ata do Copom desta terça confirma que o Banco Central está correndo contra o relógio numa corrida em que a inflação parece estar ganhando.




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