Banco Central vincula futuro da Selic à extensão da guerra no Oriente Médio e alerta para juros altos por mais tempo
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Ata do Copom revela que todos os diretores concluíram que o ambiente de expectativas desancoradas exige restrição monetária maior do que seria necessário em condições normais

O Banco Central deixou claro nesta terça-feira (24) que o rumo da política monetária brasileira está, em boa medida, nas mãos do conflito no Oriente Médio. A ata do Comitê de Política Monetária revela que os diretores aguardarão novas informações sobre a "profundidade e a extensão" da guerra para calibrar os próximos passos da Selic, numa admissão direta de que a incerteza geopolítica passou a ser uma variável central nas decisões de juros no Brasil.
A conclusão compartilhada por todos os membros do Comitê foi inequívoca: "em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado". A frase resume o dilema enfrentado pelo Banco Central num momento em que o choque externo provocado pelo fechamento do Estreito de Ormuz pressiona os preços das commodities e eleva as projeções de inflação, ao mesmo tempo em que a economia doméstica já convive com juros em patamar historicamente elevado.
Na semana passada, o Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano, numa decisão unânime entre os sete integrantes do colegiado. O corte de 0,25 ponto percentual foi descrito pelo próprio Banco Central como "compatível com a estratégia de convergência da inflação à meta", mas a ata deixa claro que o ciclo de afrouxamento monetário pode ser interrompido ou desacelerado caso o conflito se aprofunde.
Os números do Boletim Focus divulgado na segunda-feira já refletem essa preocupação. Os agentes financeiros elevaram a projeção para o IPCA de 4,10% para 4,17% em 2026, pressionados diretamente pela disparada do petróleo desde o início dos ataques americanos e israelenses contra o Irã em 28 de fevereiro.
O Banco Central foi cuidadoso na escolha das palavras, mas o recado é direto: o cenário externo se tornou mais incerto com o acirramento dos conflitos geopolíticos, e países emergentes como o Brasil precisam agir com cautela num cenário de elevada volatilidade de preços de ativos e commodities. "Perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária favorecerão a continuidade desse movimento, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo", afirmou o Comitê.
Com o Irã lançando mísseis contra Israel e países do Golfo nesta mesma terça-feira e desmentindo publicamente qualquer negociação com os Estados Unidos, o cenário de conflito prolongado voltou a ganhar força. Somando-se esse fator à manutenção da taxa de juros americanas pelo Fed, e à condução fiscal inadequada por parte do governo Lula — marcada por déficits recorrentes —, a tendência é que o Banco Central continue adotando uma política monetária contracionista como forma de conter a inflação. O resultado são juros elevados por mais tempo, que restringem a atividade do setor privado e limitam a liberdade econômica da população brasileira.




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