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Banco do Brasil (BBAS3) fecha contrato de R$ 2,3 bilhões com os Correios sem consultar concorrentes

BB alega monopólio postal para justificar contratação direta




O Banco do Brasil fechou contrato de R$ 2,3 bilhões com os Correios para a prestação de serviços postais convencionais e especiais em todas as unidades do banco no Brasil e no exterior pelo prazo de cinco anos, sem consultar os valores cobrados por outras empresas antes de formalizar o acordo. O BB justificou a contratação direta argumentando que 97,84% das suas despesas postais se enquadram no monopólio postal da estatal e que os Correios oferecem melhores condições nos serviços restantes.


"Não foi realizado procedimento de tomada de preços com terceiros em razão da inviabilidade de competição verificada no caso concreto", afirmou o banco. Para os serviços fora do monopólio, o BB argumentou que os Correios são a única organização com capilaridade, abrangência nacional e capacidade operacional suficientes para garantir atendimento integrado em todo o território, inclusive em localidades remotas.


Os Correios acumulam prejuízos bilionários. Só em 2025, o rombo chegou a R$ 8,5 bilhões, pressionado pelo aumento das despesas com funcionários e precatórios e pela perda de receitas decorrente da redução no volume de cartas e da concorrência crescente com empresas privadas de entregas. A estatal anunciou um amplo plano de reestruturação prevendo redução do quadro de pessoal, venda de imóveis e busca por novas fontes de receita, e ainda tomou empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos, incluindo o próprio BB, para tentar organizar as contas. A expectativa é de novo déficit em 2026, após prejuízo de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre.


O Banco do Brasil, por sua vez, também atravessa momento financeiro extremamente delicado. O lucro da instituição caiu drasticamente. No primeiro trimestre de 2026, houve uma queda de 54% em relação ao ano anterior, depois que a inadimplência do agronegócio explodiu e exigiu aumento expressivo das provisões bancárias, levando o Itaú BBA a revisar a projeção de lucro líquido do banco de R$ 21,2 bilhões para R$ 18,4 bilhões e o Citi a manter o BB como um dos nomes menos preferidos do setor financeiro. Para tentar manter a liquidez, o banco vem renegociando dívidas rurais e repactuou o pagamento da dívida junto ao Tesouro Nacional, adiando desembolsos de R$ 1,8 bilhão.


Na prática, o contrato de R$ 2,3 bilhões representa uma transferência garantida de recursos de um banco estatal com resultados sob pressão para uma empresa de correios que acumula prejuízos bilionários, sem processo competitivo, num ambiente em que ambas as instituições enfrentam desafios crescentes.



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