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Banco do Brasil inicia renegociação de dívidas rurais com até R$ 100 bilhões em operações elegíveis

Medida chega após inadimplência acima de 90 dias no agronegócio saltar de 3,16% para 6,27% em um ano



O Banco do Brasil informou, nesta quarta-feira (26), ter dado início às renegociações previstas pelo programa de reestruturação de dívidas do setor rural lançado pelo governo federal no mês anterior, indicando que sua carteira de crédito agropecuário conta com cerca de 113 mil clientes com operações potencialmente elegíveis, num volume que pode alcançar até R$ 100 bilhões.


A instituição deposita expectativas relevantes na Medida Provisória 1.376 como um dos principais fatores capazes de proporcionar melhora nas provisões da carteira de crédito voltada ao agronegócio nos próximos meses, após uma sequência de trimestres marcados pelo avanço acentuado da inadimplência no segmento. No segundo trimestre deste ano, a taxa de inadimplência acima de 90 dias no agro subiu para 6,27%, ante 3,16% registrados um ano antes e 6,22% no trimestre imediatamente anterior — uma deterioração que praticamente dobrou em doze meses.


A referida medida provisória autorizou a criação de linhas especiais de crédito destinadas à composição de dívidas de produtores rurais e cooperativas que sofreram perdas decorrentes de eventos climáticos adversos ou de retração de mercado em duas ou mais safras, no período compreendido entre 2019 e 2025.


Segundo o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, a iniciativa representa oportunidade relevante para restabelecer as condições financeiras de produtores atingidos por ciclos sucessivos de perdas. "A MP contribuirá para acelerar a regularização das operações estressadas, além de contribuir para a retomada dos índices de pontualidade do setor", afirmou o executivo em comunicado.


A necessidade de um programa federal de renegociação em escala tão expressiva não deve ser dissociada da política econômica que o próprio governo Lula tem conduzido ao longo do atual mandato. A persistência de déficits fiscais sucessivos, somada à incapacidade de conter o crescimento das despesas obrigatórias mesmo diante de arrecadação recorde, obriga o Banco Central a manter a Selic em patamar restritivo por período prolongado, na tentativa de conter uma inflação que se mostra resistente. O resultado prático dessa equação recai justamente sobre setores intensivos em crédito, como o agronegócio: juros elevados encarecem o custeio da produção, comprimem as margens dos produtores rurais e ampliam o peso do serviço da dívida sobre um setor já fragilizado por sucessivas quebras de safra.


Não é coincidência que a inadimplência acima de 90 dias no crédito rural tenha praticamente dobrado em apenas doze meses: trata-se do reflexo direto de um ambiente macroeconômico no qual o custo do dinheiro segue elevado precisamente porque o governo federal não consegue equilibrar suas próprias contas. Ao lançar agora um programa de renegociação para socorrer produtores endividados, o Executivo tenta remediar, com recursos públicos adicionais, um problema que sua própria condução fiscal contribuiu de forma decisiva para agravar.



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